Julho 19, 2009

Eufrásia, uma personagem














Os Mundos de Eufrásia, de Claúdia Lage: olha, atenção a este livro! Publicado pela Record, o essencial é isto: «Praticamente desconhecida na historiografia nacional, Eufrásia Teixeira Leite foi uma das mais incríveis personagens brasileiras do fim do século XIX, uma bela filha da elite cafeeira da região de Vassouras que viveu na Europa e circulou pelos mais importantes salões de Paris. Em um tempo em que as mulheres viviam à sombra do marido e as famílias ainda pagavam dote para casar suas moças, Eufrásia não se casou, viveu durante anos uma impossível e conturbada história de amor com o abolicionista Joaquim Nabuco, ergueu um império financeiro e se tornou uma das mais respeitadas investidoras do mundo à época.» O lançamento é dia 22, na Argumentum, a mais bela das livrarias do Leblon, bem perto da casa desta senhora.

Ruy volta








O Leitor Apaixonado: é este o título do novo livro de Ruy Castro a publicar pela Companhia das Letras. Textos sobre autores de que, pura & simplesmente, Ruy Castro gosta. Sai no fim do mês, no Brasil.

6° Prémio Passo Fundo Zaffari Bourbon de Literatura

Entre os finalistas estão Milton Hatoum, Moacyr Scliar, António Lobo Antunes, Lídia Jorge, Francisco José Viegas, João Gilberto Noll, Chico Buarque, Salim Miguel ou Ruy Castro. Há 48 finalistas que continuam na disputa pelos R$ 100 mil.

Mais Manuel Bandeira

















Sai na Cosac & Naify o segundo volume das Crônicas Inéditas de Manuel Bandeira. São textos em prosa que Manuel Bandeira publicou na imprensa entre 1930 e 1944 e não foram incluídos por ele nas Crônicas da Província do Brasil (1937). Organização, posfácio e notas de Júlio Castañon Guimarães.

Mia com outro título












O livro Jesusalém, do moçambicano Mia Couto, sai na Companhia das Letras com o título Antes de Nascer o Mundo.

Rumores menos bons

Rumores vindos do Rio: dificuldades cercam a Ediouro, que planeia, entre outras coisas, a mudança e concentração de instalações para as várias empresas do grupo, como a Agir e a Nova Fronteira.

O regresso

Ano e meio depois, o Gávea regressa à vida; hibernou durante este tempo. Faço-o porque gosto cada vez mais de literatura brasileira, de livros brasileiros e, pasme-se, até de muitos autores brasileiros. O Gávea continuará a ser uma espécie de apontador da edição brasileira para quem não tem tempo de andar todo o tempo a ver o que sai e o que vai sair.

Novembro 06, 2007

Eucanaã no cinema












Eucanaã Ferraz publica muito em breve o seu novo livro de poemas, com o título Cinemateca, edição Companhia das Letras. Poemas narrativos, como filmes.

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Ouro Preto, 7

A cobertura do Fórum das Letras de Ouro Preto foi originalmente publicada no outro blog, ou seja, no Origem das Espécies.

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Ouro Preto, 6









1. Muito trabalho nos últimos dois dias e a actualização fica para trás; a actualização e os posts prometidos no último, mais abaixo. Mas houve novidades interessantes. A primeira foi a mesa onde participaram Miguel Gullander, Ondjaki e Patrícia Reis às 14h30. O tema: «Caminhos da experimentação na nova literatura lusófona».
Às 17h00, participei na minha mesa, com Marçal Aquino, Tony Bellotto e
Newton Cannito. Marçal acabou por ser o moderador mas, a meio, Malu Mader exigiu -- em nome de todos nós -- que ele participasse mais activamente. O tema: o romance policial. Será objecto de outro texto, um dia destes.
Fica a imagem da sessão de autógrafos a seguir ao debate.










[Eu, Tony Bellotto e Marçal Aquino]
Coisas que vale a pena saber: Tony (o Flamengo tinha acabado de perder 3-1 com o Cruzeiro) anda em digressão com a sua banda, Titãs, e fazem duo com Os Paralamas do Sucesso. Sairá um disco. Em 2008, ele irá a Portugal. Marçal Aquino também. Quem puder, veja o seu filme O Invasor.

2. Há uma razão para não trazer mais informações sobre a mesa de Ondjaki, Gullander e Patrícia Reis, além de ter sido logo antes daquela em que participei. Ontem a jornada começou pelas oito, para preparar a segunda parte da apresentação dos roteiros/guiões de cinema realizados no âmbito do Cineport.








Primeiro do dia: o de Ana Paula Maia (Brasil), A Guerra dos Bastardos, com roteiro de Pilar Fazito. Uma história muito, muito bem contada, a le
mbrar Almodovar, meio trágico, meio grotesco; um retrato brasileiro muito aplaudido.








Depois
, o de Ondjaki (Angola), Bom Dia, Camaradas, roteiro de João Toledo: excelentes momentos de comoção e de humor numa recordação da infância luandense vivida debaixo da guerra. O texto de Ondjaki favorece muito este género de adaptação, em que a voz off não soa mal, e os quadros mais «sentimentais» não são desperdício. Pelo contrário.

O trabalho de Joana Oliveira com Longe de Manaus deixou-me comovido: o livro fica no osso, certamente, mas a vida dos livros em guião de cinema é assim. Todo o guião é construído em redor da figura de Jaime Ramos, o detective, explorando os momentos de humor e desconcerto, os seus tiques, elegendo-o como tipo fundamental e mantendo três pólos de acção: Porto, São Paulo e Manaus, com Luanda na penumbra. Gostei bastante e o trabalho final com Marçal Aquino foi excelente.
Fica, naturalmente, a perplexidade de ver como
os outros, no Brasil, entenderam a figura de Jaime Ramos; nesse ponto fiquei ainda mais comovido durante a sessão da tarde, quando ouvi as observações de leitores sobre o inspector portuense. Já não é meu. Mas ver que os outros o reconstroem é também muito bom.









[Guiomar Grammont]

3. Em conversa com Guiomar Grammont (a organizadora do Fórum) Malu, Tony Bellotto e Eucanaã Ferraz, nasceu a ideia de imaginar um conjunto de histórias policiais passadas em Ouro Preto. Uma ideia a seguir.

















[Falke, eleito o melhor chopp artesanal da temporada, nascido em BH,
servido em abundância no restaurante Bené da Flauta; Inês Pedrosa e Connie Lopes, a editora da Língua Geral; os cheques-refeição providenciados pela organização e que são aceites nos restaurantes de Ouro Preto -- carinhosamente, são conhecidos por «Grammonts»; Connie Lopes e Miguel Gullander; os livreiros acompanham estes eventos no Brasil: o grande animador e responsável pela Livraria da Travessa; José Miguel Wisnik esteve no Fórum e fez um dos seus shows-aulas, «Nas Palavras das Canções», dedicando uma das canções a Inês Pedrosa -- se puderem ouvi-lo, não percam, é poesia pura.]

4. Amanhã seguem mais instantâneos. Mas pode fazer-se o anúncio: em Abril, de 10 a 13, o Fórum das Letras de Ouro Preto muda-se para Lisboa. O Fórum das Letras de Lisboa está já a ser preparado por Guiomar Grammont e Inês Pedrosa.

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Ouro Preto, 5










1. Manhã agitada e cheia de trabalho, sempre em bom ritmo. Primeira nota para a leitura e apresentação de roteiros/guiões de adaptações cinematográficas feita no âmbito do Laboratório de Roteirismo do Cineport, Festival de Cinema de Língua Portuguesa (na foto, o grupo de roteiristas, com Newton Cannito, o segundo na imagem), e que começou em Abril passado, em João Pessoa. Esta manhã, apresentação do roteiro do romance Perdido de Volta (Angola, Portugal), de Miguel Gullander, um trabalho muito bom de Ricardo Andrade. Um grupo de actores representou um fragmento do roteiro, muito David Lynch, um nadinha de David Cronenberg.








[Miguel Gullander, José Eduardo Agualusa e Christiane Tassis]

Depois, com roteiro de Sílvia Godinho, foi a vez de As Mulheres de Meu Pai (Angola), de José Eduardo Agualusa; vimos uma espécie de diaporama do road-movie, no mínimo comovente, com música fantástica de um quarteto de cordas do Soweto. É preciso notar queAs Mulheres de Meu Pai é, em si mesmo, um road-movie sobre a viagem de Laurentina em busca do seu pai africano e das suas mulheres, numa viagem que nos leva de Angola até à Ilha de Moçambique. Para quem não leu o livro, pode abrir o apetite com a pré-publicação do Capítulo 1, Parte I , Capítulo 1, Parte II , Capítulo 2, Parte I. Pode ainda ouvir a entrevista de José Eduardo Agualusa no Escrita em Dia (versão em wma, em mp3 ou em realplayer.) Como bónus, pelo meio há três curiosíssimas canções do soul angolano dos anos setenta: «Chofer de Praça», de Luiz Visconde, «Kiá Lumingo», de Urbano de Castro, e «Mona ku Jimbe Manheno», de David Zé.
Finalmente, a adaptação de Sob a Neblina, de Christianne Tassis (Brasil), por Marcus Nascimento. Vimos um diaporama muito Alain Resnais, que enquadrava perfeitamente a história do livro: um fotógrafo (Henrique) que pede a uma ex-namorada (Lúcia), jornalista, que escreva a sua biografia, uma vez que pode morrer a qualquer momento, vítima de um tumor. Amanhã continua a sessão, com mais três roteiros.

2. Televisões e entrevistas, aqui e ali. Notícias que saem nos jornais. Os autores portugueses e africanos presentes são bem destacados. Ontem, um fotógrafo convocou-nos para a Igreja do Rosário ao meio-dia, para um fotografia colectiva a ser publicada na primeira página do «Segundo Caderno» (o de letras & artes) do Estado de Minas. Ouvi a convocatória (sabem o que, à meia-noite e meia, significa voz empastelada, lenta, atrapalhada, numa terra onde se bebe um dos melhores chopes artesanais do Brasil, além das cachacinhas Germana e Salinas?) e comentei para o moçambicano Nelson Saúte: «Vais ver que ele não aparece.» E não. Foi visto há pouquinho, às cinco da tarde.









[Nelson Saúte e Eduardo Coelho]
3. O prefeito de Ouro Preto foi já secretário de Cultura do governo estadual de Minas Gerais, em BH. Tem vantagens inegáveis (fala escorreito, é sucinto e activo, simpático e conhece bons vinhos). Durante o jantar de ontem, leu um poema de Nelson Saúte sobre Ouro Preto, justamente.










4.
Na foto anterior Nelson (que lança aqui, por estes dias, Rio dos Bons Sinais) está ao lado de Eduardo Coelho, e isso merece explicação. Eduardo é o editor principal na editora Língua Geral e, se não estou em erro, um dos melhores editores no mundo da língua portuguesa. Significa isso que livro editado por ele é livro sem gralhas
, distracções ou falhas de maior, salvo as que são atribuídas ao autor. É muito cuidadoso, metódico e muito exigente; mas também é um homem divertido, bom de copo, bom de garfo, bom de ler (está a concluir uma tese sobre Manuel Bandeira), bom amigo. A Língua Geral publicou a versão brasileira do meu romance Lourenço Marques com o título A Luz do Índico, e posso dizer que beneficiou bastante o livro. Sem peneiras.










4.
Terminou há instantes a prim
eira mesa da tarde, que juntou José Luís Peixoto, Eucanaã Ferraz e um poeta de BH que vestia calças às riscas e que declarou estar em «transe erótico». Brilhante como sempre, Eucanaã; comovendo a assistência, Peixoto. Poesia às três da tarde com temperatura senegalesa parece absurdo, e é; mas os livros ficam.

5. História de almoço, brejeira e divertida, com Eucanaã e Eduardo Jardim, professor de literatura e filosofia, autor de vários livros sobre o modernismo brasileiro: quando Derrida veio ao Brasil, alguém queria colocar perguntas chocantes ao filósofo francês, digamos que perfeitamente desconstrucionistas. Do género: «O que pensa sobre a nossa mulher brasileira?
Qual é seu time de futebol? Já provou tutu de feijão?» Bom, a verdade é que isso aconteceu, mas com a apresentadora de futebol, Hebe Camargo, a quem coube entrevistar Jean Genet, imagine-se. E lá saiu a pergunta fatal: «O que pensa da mulher brasileira?» Genet balbuciou que não estava interessado. «Que gracinha», riu Hebe Camargo.
Pois isso é o que apetece fazer em certos debates sobre poesia, perguntando aos «poetas em transe»: «O que pensa de usar calças às riscas? Você é do Cruzeiro ou do Atlético Mineiro? Qual a sua opinião sobre o tucunaré?»








6. O angolano Ondjaki, que vem lançar no Brasil (edição Língua Geral)
Os da Minha Rua, anda em pesquisas por Ouro Preto. Barroco brasileiro, arquitectura, gastronomia, música? Não. Ondjaki anda a investigar chapéus. Chapéus. Depois dou notícias sobre o assunto. Chapéus.








[Ana Paula Maia, autora de A Guerra dos Bastardos, e Patrícia Reis]

7. Patrícia Reis lançará agora Morder o Coração no Brasil, antes de entregar o seu novo romance O Silêncio de Deus à Dom Quixote (quanto a este, já li, e é bom, uma história comovente que vale a pena reter). Foi sua uma das frases que marcou os debates: «Quando uma mulher escreve uma história de amor, diz-se que é uma história de mulherzinhas, cheia de corações e tal; quando é um homem, diz-se logo que é uma meditação sobre a condição humana.»

8. Chove em Ouro Preto. Finalmente, para felicidade de todos. Daqui a pouco, às 19h00, a francesa Laure Adler (cuja obra está a ser publicada pela Record) e o carioca Eduardo Jardim irão debater «O ensaio com recursos ficcionais». Mas a novidade é esta pouca chuva, que veio amenizar o clima e temperar as cores das árvores do outro lado da rua.

9. Próximo post com agenda: Elizabeth Bishop em Ouro Preto, Cláudio Manuel da Costa e Gonzaga em Vila Rica, Roberto Carlos, os debates sobre poesia e a música do Soweto String Quartet.

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Ouro Preto, 4









1.
Zuenir Ventura, com os seus 76 anos, ao subir ao palco do Fórum (onde ia para o debate sobre «Ficção, História, Jornalismo», com Ricardo Kotscho e Rui Tavares), para Liliane Dutra (como ele, mineira e carioca, ou mineiroca): «Lily, me chama de gostoso

2. Adriano Jordão (adido cultural da embaixada portuguesa em Brasília e, portanto, representante do Instituto Camões) indisposto e com ida ao hospital antes do jantar que ofereceu a escritores portugueses e africanos. Mas cavalheiro e excelente anfitrião, como sempre, saiu do hospital e da farmácia mas passou pelo restaurante Janela do Rosário (mesmo em frente dessa apoteose do barroco de Ouro Preto, que é a igreja de N.S. do Rosário), para tomar um chá de cidreira e dizer duas palavras a todos. De qualquer maneira, que pena Francisco Seixas da Costa não poder estar.

3. Sérgio Sant'Anna, o autor de O Voo da Madrugada (que ganhou o prémio Portugal Telecom no Brasil, edição portuguesa na Cotovia), é o mais desportivo de todos. A meio da manhã desce a Rua Direita, de bermuda e camiseta; fazem-se apostas para saber que jornal ele vai comprar: um diário generalista ou o Lance!, para não perder o contacto com o futebol.
Sérgio, 66 anos, também autor de Um Crime Delicado (prémio Jabuti), de O Concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro (também prémio Jabuti) ou de Simulacros, foi uma das minhas grandes surpresas há três anos, quando o conheci. Cheguei a sua casa no Rio, para entrevistá-lo. Eram onze da manhã; ele recebe-me como um carioca legítimo: calção, havaiana e camiseta. Eu tinha acabado de ler O Voo da Madrugada e esperava um homem feito à semelhança dos seus textos, angustiados, densos, cheios de tensão e de negrume. Mas Sérgio estava preocupado com a duração da entrevista; é que, durante a tarde, ele queria ficar sentado na sala, rodeado de cerveja e salgadinhos, a ver os três jogos do Euro 2004. Fizemos a entrevista rapidinho; depois, discutimos o futebol de Scolari e a delícia que era ver jogar a Holanda ou a Croácia. Sim, a entrevista correu maravilhosamente, enquanto na cozinha alguém preparava os salgadinhos.







4.
José Luís Peixoto (foto tirada num aeroporto, recentemente) actua hoje às 14h30, com Eucanaã Ferraz, para falar de poesia «entre o sonho e a matemática». Hoje, é o único português a subir ao palco do Fórum; de manhã, daqui a pouco, às 09h00, apresentação dos roteiros/guiões de livros para adaptação ao cinema: As Mulheres de Meu Pai (Angola), de José Eduardo Agualusa; Perdido de Volta (Angola, Portugal), de Miguel Gullander; A Guerra dos Bastardos (Brasil), de Ana Paula Maia; e Longe de Manaus (Portugal). Quanto a Longe de Manaus, Marçal Aquino gostou da adaptação, o que é uma garantia. Vou ver, em cena, o trabalho de Joana Oliveira.

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Ouro Preto, 3










1. Ainda há instantes, José Eduardo Agualusa e Cristóvão Tezza no debate sobre «A alma exposta: literatura, entrega, confissão». Tezza é autor de O Filho Eterno (edição Record), o seu mais recente romance, que acabei de ler: uma história comovente e autobiográfica sobre um casal que tem um filho com síndrome de Down.

2. Joana Oliveira está «ali» reunida com Marçal Aquino, dando os últimos retoques na primeira proposta do guião/roteiro cinematográfico de Longe de Manaus. Ao longo de seis meses, depois de uma primeira sessão no Cineport de João Pessoa, Joana trabalhou o romance com a supervisão de Newton Cannito. A «primeira apresentação final» do guião é amanhã, pelas 9h00.

Aqui, entrevista ao Estado de São Paulo sobre a edição brasileira de Longe de Manaus.

3. Hoje de manhã, às 10h00, justamente, pudemos rever O Mistério da Estrada de Sintra, de Jorge Paixão da Costa, com o guião de Newton Cannito. Sala de madrugadores (o Cine Teatro Villa Rica é uma sala à antiga) e aplausos no fim.







4. Miguel Gullander é o autor de Balada do Marinheiro-de-Estrada (edição Cavalo de Ferro, em Portugal) e, agora, de Perdido de Volta (edição Língua Geral, no Brasil). Ele é filho de mãe sueca e de pai português (em vez de luso-sueco gostamos de tratá-lo como escandaluso), mas viveu sobretudo em Cabo Verde e Moçambique e, agora, desde há mais de um ano, em Benguela, Angola. É o nosso autor heavy metal; aqui, na Praça Tiradentes, no centro de Ouro Preto.

5. Agualusa queixa-se de ter sido acordado por um galo madrugador, ainda mais madrugador do que ele, que acorda pelas seis da manhã. Eu acordei com sinos, sinos, sinos. É o Dia de Finados em Ouro Preto e os primeiros sinos tocaram às seis e meia.












6. A melhor das surpresas pessoais foi o encontro com Tony Belloto, o autor de Bellini e a Esfinge, Bellini e o Demônio e de Bellini e os Espíritos (que estou a ler agora, juntamente com Cabeça a Prêmio, de Marçal Aquino), todos publicados pela Companhia das Letras. Na verdade, eu já gostava de Belloto há muito, pois ele é guitarrista dos Titãs, uma das bandas de que mais gostei (sim, pop-rock, seja o que for), e casado com Malu Mader, que é muito mais divertida do que nos papéis que interpreta. Tony é um excelente escritor também, e um criador de boas histórias policiais com o detective Remo Bellini, da Agência Lobo de Detetives. Ontem, boa conversa e a hipótese de edição dos seus livros em Portugal. Domingo, participarei com ele e com Marçal Aquino no debate sobre literatura policial, moderado pelo Newton Cannito.

7. Em Longe de Manaus uso uma canção dos Titãs, quando Daniela e Helena se encontram em São Paulo: «Eu preciso de você agora, por favor não vá embora, o tempo vai passando nos relógios, encontro seus beijos a toda hora.» É «Toda a Cor», a canção. Eu ouvi-a muito em 2004. Nessa altura escrevi A Noite o que é?.

8. Marçal é o autor de Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios (edição portuguesa A Palavra, e brasileira na Companhia das Letras). Outros livros a não perder são Famílias Terrivelmente Felizes e O Amor e Outros Objetos Pontiagudos. Mas repare-se neste arranque de Cabeça a Prêmio (edição Cosac & Naify): «As coisas importantes ditas de um jeito prosaico. Brito estaa experimentando uma camisa no provador de uma butique masculina. Sempre pedia que Marlene escolhesse as roupas para ele. O rosto dela, só o rosto, surgiu entre as cortinas e ficou assistindo. Eles se olharam pelo espelho do provador. Me diga uma coisa, Brito: você é feliz? Ou infeliz? Ele colocou a camisa por dentro da calça. Viu que começava a criar barriga. As duas coisas, acho. Marlene degustou a resposta por um tempo. Daí, sorriu e disse, antes de seu rosto sumir entre as cortinas: Ficou boa a camisa. Brito e Marlene. Por que dava certo?»

9. Todas as tardes Luis Fernando Verissimo faz o mesmo passeio, junto da Praça Tiradentes. Como é que o mais bem-humorado dos escritores brasileiros raramente fala e raramente ri? É esse o segredo, precisamente. Conta-se que numa viagem de comboio até Cruz Alta, no planalto gaúcho, o pai, Érico Verissimo, lhe fez uma pergunta banal à saída de Porto Alegre. Ele teria respondido em Cruz Alta, horas depois.

10. Em Abril passado, em Salvador, Zuenir Ventura contou-me da sua nova reportagem, uma coisa totalmente inesperada: está a escrever sobre o funk carioca. Passou meses nas noites de funk, entre gangues. O livro vai sair. Mas em Abril de 2008 vai sair uma caixinha com a reedição de 1968, o Ano que Não Terminou, juntamente com um outro livrinho em que se fala do que se perdeu e não se perdeu dessa época. Sou de outra época, mas o entusiasmo de Zuenir é contagiante.

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Ouro Preto, 2








1. «O Verissimo já falou?» «Já. A conferência dele era às duas e meia.» «Não, não é esse. O Luis Fernando Verissimo, falo desse Verissimo.» «Já, já falou. Era às duas e meia.» «Você está chato hoje, hein? Eu estou falando do Luis Fernando Verissimo, pô.»

2. «Que debate era esse?» «Sobre literatura e já não sei bem, causas e o papel do escritor.» «Estou sabendo.» «Tu não foste?» «Estive bebendo, depois estive ocupado a ficar sóbrio, depois bebi uma cachacinha, uma Germana, e já passou, e agora estou preparado. Qual é o próximo debate?» «Hoje já não tem mais.» «Vai ser um combate.»

2. «É na Xavier da Veiga, de certeza que é na Xavier da Veiga. Descendo para aquela igreja, você está vendo?» «Não.» «Pô, mas você vai pelo cheiro. Tem aquela rua que vai dar ao centro, sabe?, aí volta à direita, desce, é a Xavier da Veiga, tem lá a cachaçaria. Um baita arquivo de cachaça, se quer saber.» [silêncio] «Já sei, mas não tem cachaçaria nenhuma lá.» «Não?» «Não. Lá é a biblioteca.» «Eu confundo tudo. Deixa.»

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Ouro Preto, 1
















Poemas de Tomás António Gonzaga, as ruas onde passou parte da melhor história de Portugal no Brasil. Havia uma poeira fina, amarelada. Essa não foi a primeira imagem mas foi a mais intensa, aquela que perdurou. A primeira foi a do desenho de um vale escuro, denso, sitiado pelo pico do Itacolomi e pela Serra da Mantiqueira, pelos fios de água do Rio das Velhas e do Piracicaba, mergulhado naquela vaga de calor onde cada pedra fala da história e do passado. É impossível não ceder ao peso da história; casarões erguidos em colinas, em ladeiras e becos, pracetas onde ipês frondosos servem de testemunhas à passagem do tempo. Mas a outra imagem, a imagem decisiva, apareceu depois: uma poeira fina misturada às nuvens de calor que subiam e desciam o vale. Foi mais do que isso que levou D. Pedro a chamar-lhe Imperial Cidade de Ouro Preto, substituindo o nome antigo, Vila Rica – o desígnio da história, o centro difusor do independentismo brasileiro que alimentou a Inconfidência Mineira e a conspiração do Tiradentes, a importância económica da região, a tradição de uma cidade que foi capital do barroco brasileiro. De alguma maneira, tanto Gonzaga como Cláudio Manuel da Costa fizeram o melhor da poesia pós-barroca, só comparável em génio ao atormentado e revolucionário Boca do Inferno, o “genial canalha” Gregório de Matos, o escandaloso poeta baiano do século XVI.
Ouro Preto lembra a história das cidades abandonadas por algum mistério do tempo. Há aqui o perfume da maldição e do castigo por, nesses tempos de glória, a riqueza dos seus habitantes ter levado a cobrir varandas e fachadas com folha de ouro. Isolada do mundo, escondida no vale, Ouro Preto fomentou aquela luxúria da decadência e foi um centro produtor de música, de pintura, de escultura, de literatura – e de contemplação, a mãe de todos os vícios artísticos.
Ao crepúsculo, Ouro Preto recebe os seus fantasmas, um a um. Eis a contemplação como um dos elementos da luxúria; não é por acaso: ao observar o vale desaparecendo sob a escuridão, percebe-se por que razão há cidades brasileiras a viver tanto o passado e os seus mistérios.

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Outubro 22, 2007

Rio de Janeiro violento: Os Insones












Samora é negro, mora no Leblon e quer mudar o mundo. Sofia é branca, mora em Ipanema e está desaparecida. Seu irmão Felipe coleciona armas escondido dos pais. Mara Maluca é meio mulata, meio índia, mora na favela e é capaz de atrocidades inenarráveis. Chayene pinta as unhas de vermelho e negro e quer ser atriz. São todos muito jovens. É esta a matéria de Os Insones, romance de Tonny Bellotto publicado pela Companhia das Letras. Começa assim:
«No futuro ele vai invadir a cidade. Por enquanto é só paisagem: mar, mar, mar. Do outro lado, pensou, a África. Olhou em torno, o quarto era pequeno. Colchão, mesa, duas cadeiras, livros e CDs espalhados, CD-player, mochila, garrafinhas d'água e uma janela. Lá fora gente falando, rádio ligado, cachorro latindo e o esgoto aberto. Como se a África estivesse ali mesmo. Uma velha subia os degraus acompanhada de um garotinho preto. Luger cromada enfiada dentro da bermuda vermelha, o garoto percebeu que era observado.»

Maio 07, 2007

Cony reeditado

Carlos Heitor Cony vê reeditado Pessach, a Travessia, originalmente publicado em 1967 -- o seu livro mais próximo do fascínio judaico. Extracto pode ser lido aqui. Edição Alfaguara/Objetiva.

Angola no Brasil













De Ruy Duarte de Carvalho acaba de sair (edição Companhia das Letras) Os Papéis do Inglês (edição portuguesa na Cotovia).

Abril 14, 2007

O biógrafo.

Fernando Morais é o biógrafo de Olga Benário e de Assis Chateaubriand. Agora, antes de se lançar em dois livros oh-la-la (um sobre o seu amigo e ex-dirigente do PT, José Dirceu, e outro sobre o seu amigo Paulo Coelho, uma biografia bem volumosa), publica Montenegro, as Aventuras do Marechal que Fez uma Revolução nos Céus do Brasil. Uma história prodigiosa. Entrevista do autor à Época.

Olha!












Olha o novo livro de Paulo Coelho! Chama-se A Bruxa de Portobello (edição Planeta). A protagonista chama-se Athena e é filha adoptiva de uma libanesa. Em Londres decide investigar por que razão a sua mãe biológica, uma cigana, decidiu abandoná-la.

Top.

Livros mais vendidos segundo a contabilidade da Folha de São Paulo.

As mulheres, ah, as mulheres.












Aí está um romance sobre o mundo em que as mulheres inverteram já totalmente os papéis no jogo do sexo. Ubiratan Marruek e A Corrida do Membro (edição Objetiva). É o romance que estou a ler. Veja mais aqui.

Marcelo Rubens Paiva, dois livros.












Não És Tu, Brasil, é uma história sobre o Brasil da ditadura e o momento em que os torturadores foram deixados à solta:
Em 1970, o cerco aos guerrilheiros da VPR — Vanguarda Popular Revolucionária, organização de guerrilha comandada pelo ex-capitão Carlos Lamarca —, no Vale do Ribeira, levou os militares a repensarem a guerra contra-revolucionária. O episódio conhecido como “A Guerrilha do Vale do Ribeira” impôs uma surpreendente derrota aos mais de mil e quinhentos homens das Forças Armadas que perseguiam cinco guerrilheiros, entre eles Lamarca. Mais aqui.
Quando a Blecaute, é uma reedição (revista, verdadeiramente) de um romance dos finais dos anos oitenta, agora disponível de novo.

Para quem pode, não perca as saborosas crónicas de Marcelo no Estado de São Paulo.

Estudos literários. Sterne, o grande mestre.











Aí está Riso e Melancolia. A Forma Shandiana em Sterne, Diderot, Xavier de Maistre, Almeida Garret e Machado de Assis (edição da Companhia das Letras):
«Nas primeiras linhas de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, o narrador avisa que adotou uma forma semelhante à de Sterne e Xavier de Maistre e que escreveu seu livro com a pena da galhofa e a tinta da melancolia. Diz ainda que em vez de começar a história a partir do início, preferiu contar primeiro o fim. No prólogo da terceira edição da obra, Machado adiciona o nome de Almeida Garrett aos dos inspiradores daquela forma "difusa e livre" - todos eles viajantes, observa. Para Rouanet, os elementos enumerados por Machado bastam para definir uma forma, que denominou "forma shandiana" - termo derivado do Tristram Shandy, de Sterne -, e cujas características estruturais são: hipertrofia da subjetividade; digressividade e fragmentação; tratamento especial dado ao tempo e ao espaço; e interpenetração de riso e melancolia. Os adeptos dessa forma, continua Rouanet, formam uma linhagem - e acrescenta um autor à lista elaborada por Machado: Diderot. Em Riso e melancolia, Rouanet estuda o funcionamento da forma shandiana em todos os autores que a cultivaram, abrindo o caminho para um melhor conhecimento tanto do nosso maior romancista como da linhagem intelectual a que ele se filiou. Com sua linguagem clara e atraente, seu humor e sua erudição, oferece novas percepções aos leitores e abre outras portas para a leitura dos herdeiros de Laurence Sterne.»

Tirania do corpo.











Eu tinha avisado: há uma tirania do corpo. Juliana de Vilhena Novaes acaba de publicar O Intolerável Peso da Feiúra. Depois de anos e anos consagrados a estabelecer um padrão absoluto de beleza, eis que o sofrimento acaba em tragédia. O livro é o essencial da tese de Juliana, defendida na PUC do Rio de Janeiro. A edição é da Garamond.
Escreve, no prefácio, Ricardo Ribeiralves de Castro, professor da UERJ: «A perfeição idealizada encontra na realidade sempre alguma imperfeição que, segundo a autora, obrigarão o sujeito à submissão de uma bateria de esforços absolutamente insanos e cruéis, em busca de um modelo inalcançável.» Durante dez anos, Juliana recolheu depoimentos de mulheres massacradas pelo ideal de beleza e pelo medo da exclusão: «Nas academias de malhação, nas ante-salas das clínicas de cirurgia plástica, ou nos grupos de pacientes à espera de gastroplastia redutora, há o consenso: “só é feia quem quer”. E quem não quiser se enquadrar nos atuais cânones de beleza sofrerá o merecido castigo da rejeição e da exclusão.»

Bienal do Livro de Salvador. 1








Bienal do Livro de Salvador: durante quase duas horas, Moacyr Scliar fala do seu novo livro, O Texto, ou: a Vida (edição Bertrand Brasil), quase uma antologia, quase uma recolha de memórias. Mas não é do novo livro que ele fala, é das histórias de infância, do mundo da adolescência. Durante quase duas horas, Scliar convoca os demónios da literatura (ele que escreveu 75 livros) e da autobiografia para honrar a obsessão pela ficção, pelos personagens e pelo seu mundo do Bonfim. Nesse tempo, ele contou como era a primeira biblioteca, como era a sua primeira autobiografia, como é o seu tempo nos aeroportos, como era a vida dos emigrantes do Leste europeu no Brasil, como Verissimo não leu o seu primeiro conto.

Fevereiro 19, 2007

Top

Este é o top dos livros mais vendidos no Brasil, segundo a Folha de São Paulo.

Amyr Klink

Saiba mais sobre a paixão deste brasileiro que navegou por todos os mares por causa da literatura. Para quem viu, no GNT, o documentário sobre as suas viagens, vale a pena ler Parati, Entre Dois Pólos e Mar sem Fim. Mas na Bravo! deste mês, um retrato de Klink enquanto leitor (disponíveis os links para ouvir a entrevista), «Sobre Barcos e Letras».

Jean Charles

Como morreu Jean Charles? A Objetiva lançará em Junho um livro de Ivan Sant'Anna sobre a morte do brasileiro no metro de Londres, adiantando (vem na revista Veja) que «Jean tinha os braços imobilizados ao ser morto com sete tiros na cabeça por agentes da unidade armada da Scotland Yard». O título do livro é Em Nome de sua Majestade.

GLS










Edição da Gryphus: Entenda as Entendidas, ou seja, segundo Cariê Lindenberg, como são, como vivem as entendidas. Um retrato do mundo da homossexualidade feminina.

Moacyr bíblico, uma retoma










O romance é admirável e divertido, A Mulher que Escreveu a Bíblia -- era a mais feia das mulheres do rei Salomão. Scliar retoma a tese de Harold Bloom. O livro em reedição na Companhia de Bolso.

20 anos

Por falar em Companhia das Letras vale a pena visitar o site que assinala os 20 anos de existência da editora. Uma história invejável.

Celso Furtado










É um clássico, o que não significa que esteja «actualizado» ou que -- oh, deuses! -- «a realidade não o tenha entretanto desmentido». Seja como for, aqui está a novíssima edição de Celso Furtado, Formação econômica do Brasil. Edição da Companhia das Letras.










E outra novidade no catálogo da Companhia: a reedição de um clássico de Darcy Ribeiro, As Américas e a Civilização.

Retomar um blog









Nem sempre é fácil retomar um blog. O Gávea é um projecto pessoal de informação sobre livros publicados no Brasil e, durante algum tempo, foi pioneiro. Nessa altura eu vivia no Brasil e o acesso à informação era mais fácil e mais rápido. Com o tempo, outros projectos e outras ocupações sobrepuseram-se. Regressa agora o Gávea, sem promessa de manutenção diária mas com a garantia de uma actualização pelo menos semanal. Nada mau.

Dezembro 08, 2006

Ah, Rubem Fonseca novíssimo.












E aí está o novo livro de contos de Rubem Fonseca, Ela e Outras Mulheres (também da Companhia das Letras). Está aqui um extracto.

Verissimo, novo.













Leva o título A Décima Segunda Noite (edição Objetiva) e começa assim: «Mon Dieu, mon Dieu, um gravador. Deus dos papagaios, me acuda. Já ouvi minha voz gravada. Quase silenciei para sempre. É o som do caldeirão rachado com o qual pretendemos comover as estrelas e só conseguimos fazer dançar os ursos, como escreveu Flaubert sobre a linguagem. Tente dizer qualquer coisa séria, ou profunda, com voz de papagaio. Mesmo em francês. Impossible. Foi por isso que não me deram atenção, e a comédia que vou contar quase virou tragédia. Tinha paixão, traição, perfídia, sociologia. E riam, riam. Culpa da voz, minha sina. Com voz de papagaio, nada é importante, nada é trágico. Dizem que Shakespeare lia suas comédias com voz de papagaio para seus atores, que nunca entendiam o que ele escrevia. Só assim eles sabiam que não era tragédia. Não havia gravadores no tempo de Shakespeare. Quantos não devem sua fama póstuma ao fato de não haver um gravador por perto? O mundo talvez fosse outro se descobrissem que Péricles tinha a voz fina, Napoleão a língua presa e... Mas vamos à entrevista.»
Lembra-se de como começa o primeiro Verissimo? Está aqui. Sou um coleccionador das primeiras frases de Verissimo.

Mais mocinhas no Rio de Janeiro.













Nelson Motta retoma para o título do seu novo livro um verso do hino brasileiro: Ao Som do Mar e à Luz do Céu Profundo (edição Objetiva). Sabe onde começa a história do livro? Pois, no Bairro Peixoto, em Copacabana, precisamente onde vive o detective Espinosa, o herói de Garcia-Roza. Aí está mais uma história de Rio, carnaval, bossa nova e, claro, mocinhas. Queriam o quê?

Garcia-Roza, Copacabana.












Depois de Berenice Procura, para o qual Luiz Alfredo Garcia-Roza criou a personagem Berenice, a taxista-investigadora, eis que regressa o delegado Espinosa, da DP de Copacabana, numa nova investigação, Espinosa sem Saída, edição da Companhia das Letras.

Entrevista com Luis Alfredo Garcia-Roza
publicada na revista Ler há uns tempos. E, aqui, um Espinosa de A a Z.

Outubro 13, 2006

Erico Verissimo americano








No projecto de reedição das obras completas de Erico Verissimo, acaba de sair Gato Preto em Campo de Neve, o caderno de viagem americano do autor de Olhai os Lírios do Campo. Tem prefácio de Luis Fernando Verissimo, o filho -- e fotos de viagem.

Brasil: os mais vendidos

Lista dos best-sellers brasileiros, na Folha de São Paulo.

Actualização diária

Notícias diárias sobre edição, literatura & assuntos afins, neste outro blog.

Millôr Fernandes

Reedição de Que País é Este?, de 1972 -- um extracto.

Outubro 09, 2006

Mais Pessoa no Brasil

A Objetiva publica, com organização de Luiz Ruffato, uma antologia da obra de Fernando Pessoa, Quando Fui Outro. Entrevista com Ruffato aqui. Extracto do livro em versão PDF aqui.

Alfaguara no Brasil

O selo Alfaguara passa a ser publicado no Brasil pela Objetiva, que integra assim o Grupo Santillana.

Ruy Castro: cinema

Ruy Castro, o autor das biografias de Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmen Miranda acaba de publicar Um Filme é para Sempre, uma reunião dos seus textos sobre cinema. Do site da Companhia das Letras:
«Um Filme é para Sempre responde a um antigo desejo dos leitores de Ruy Castro: reler seus melhores artigos sobre cinema publicados na imprensa nos últimos trinta anos. São perfis de atores e atrizes americanos e europeus do período clássico, pequenos ensaios sobre diretores e comentários sobre filmes famosos e obscuros. O elenco vai de Bette Davis, Marlon Brando, Zsa Zsa Gabor e Boris Karloff a Bob Fosse, Max Factor, Leni Riefenstahl e ao Dr. Mabuse. Todos os artigos têm as marcas registradas que tornam os textos de Ruy tão saborosos: originalidade e informação, clareza e humor - o mesmo estilo que ele imprime às biografias pelas quais ficou conhecido, como O anjo pornográfico, Estrela solitária e Carmen. Ruy faz revelações surpreendentes: o leitor fica sabendo, por exemplo, quais as grandes obras-primas do cinema que jamais chegaram a ser filmadas; conhece a verdadeira personalidade de figuras doces e engraçadas como Gene Kelly, Groucho Marx e Jerry Lewis; descobre o drama que havia na vida de mulheres lindas como Lana Turner, Esther Williams e Romy Schneider; e é apresentado a facetas insuspeitas de astros tão marcantes como John Wayne, Boris Karloff ou Marcello Mastroianni. E, em pelo menos dois artigos, Ruy relata experiências pessoais, como quando presenciou a Revolução dos Cravos, em Portugal (que depois viu retratada no filme Capitães de abril), e participou da Geração Paissandu.»

Setembro 03, 2006

João Gilberto Noll

Entrevista com João Gilberto Noll, em Porto Alegre. Som do programa Escrita em Dia, na Antena Um, Lisboa.

Cícero

Entrevista de Antônio Cícero no site da Record, a propósito de A Cidade e Os Livros (edição portuguesa na Quási). Cícero esteve recentemente em Lisboa, na Casa Fernando Pessoa.

João Tordo no Brasil












A Rocco acaba de publicar no Brasil o livro de estreia de João Tordo, O Livro dos Homens sem Luz (edição portuguesa da Temas & Debates).

Almanaques










Dois livros para curiosos reterem imagens dos anos que passam: o Almanaque dos Anos 70, de Ana Maria Bahiana («O primeiro campeonato de surf no Brasil, a inauguração do metrô, os loucos festivais de rock no interior, enfim, das drogas à censura, de Leila Diniz grávida de biquíni ao surgimento da onda black...») e o delicioso Almanaque do Fusca, de Fábio Kataoka e Portuga Tavares («as histórias da Kombi, Gurgel, Miura, Bianco, TL, SP2, Daicon, Puma, Baja, Karman Ghia, Brasília, Variant, Jaguar e, claro, toda a história paralela do Fusca, seus modelos diversos, sua influência no cinema, na economia, na arte, na moda, na cultura pop, enfim, tudo o que foi criado a partir deste modelo que já passou por mais de 90.000 alterações e mantém o mesmo design original...»). Ambos publicados pela Ediouro.

Jabor reunido













A Objetiva lançou este PornoPolítica, os melhores textos de Arnaldo Jabor.
Um extracto:
Já passei por caminhos de amor e sexo, mas não sei a resposta; tudo fica difuso quando tento me lembrar dos grandes momentos de êxtase. O prazer se esvai na memória. Já amei mulheres, só depois que as perdi. Já odiei ser amado, já amei por narcisismo. Quantos “amam” para humilhar o outro com seu “imenso” amor? Quantos “amam” por egoísmo? Nos anos 70, amor e sexo passaram por uma revolução meio confusa. As paixões eram súbitas, e as separações, sem aviso.
Sumira do amor o desejo de eternidade, havia um sexo experimental no ar que almejava o “desregramento de todos os sentidos”, em busca de um nível mais alto de consciência. Eram caretas a possessividade, a fidelidade. Os casamentos e namoros firmes perderam o rumo, pois nos faltavam as regras da tradição. No entanto, as emoções fundamentais estavam ali, disfarçadas, mas presentes: posse, ciúme, medo. O que faz o amor tão inquietante é o medo da rejeição, da perda do objeto ou, mais simplesmente, da dor-de-corno. Eu já sofri monumentais dores-de-corno, e elas me ensinaram muito. Acho mesmo que o homem só vira homem quando recebe chifres didáticos. Só aí o macho onipotente conhece o desespero da condição humana. A dor-de-corno é física, é uma experiência de morte.

Agosto 14, 2006

Mais vendidos no Brasil.

Conferir aqui a lista dos livros mais vendidos em São Paulo, na Livraria Cultura.

Links

O Gávea regressou e está a proceder à actualização de links. Deixe sugestões.

Flip. Parati.

Mário de Carvalho, Alberto da Costa e Silva, Benjamin Zephaniah, Ali Smith, José Miguel Wisnik, Lillian Ross, Philip Gourevitch, Toni Morrison, André Sant'Anna, Reinaldo Moraes, Christopher Hitchens, Fernando Gabeira, Edmund White e Nicole Krauss participaram da FLIP 2006, que aconteceu de 9 a 13 de agosto, em Parati, Rio de Janeiro. Acompanhe a programação e o dia-a-dia do evento pelo site do Festival de Parati.

Gonçalo M. Tavares na Companhia








A Companhia das Letras acaba de publicar Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares.

Maio 26, 2006

Romance de Patrícia Melo continua as aventuras de Maiquel.












Em Mundo Perdido, Patrícia Melo continua a biografia de Maiquel, o personagem de O Matador: só que agora já perdido entre a selvajaria urbana, os cartéis da droga e os acampamentos de sem-terra. Também na Companhia das Letras.

Moacyr e os vendilhões












Novo livro de Moacyr Scliar, no catálogo da Companhia das Letras: Os Vendilhões do Templo.

Dezembro 03, 2005

Garcia-Roza sem Espinoza, mas com Berenice













Acabou de sair. Defeito óbvio: não tem o delegado Espinoza como personagem.

«Às oito e meia da noite teve a certeza de que não haveria encontro. A galeria estava seca e razoavelmente limpa e, coisa rara, não havia ninguém lá dentro. De onde estava, podia ver uma extensão de praia corresponente a cerca de duas quadras da avenida Atlântica; se pusesse a cabeça para fora, poderia ver toda a extensão da praia. Perto das nove da noite optou por uma retirada segura por baixo da terra em direcção às ruas internas de Copacabana.»
Luiz Alfredo Garcia-Roza, Berenice Procura. (Companhia das Letras)

Sobre Luiz Alfredo Garcia-Roza no Gávea. Entrevista com Garcia-Roza na Ler. Garcia-Roza de A a Z.

O regresso de Verissimo















«Eu acho que o sexo tem que ser entre pessoas que se amam, ou se gostam, ou se respeitam, ou então não se conhecem mas não têm nada mais para fazer entre as seis e as oito. Senão fica uma coisa mecânica, entende?»

«Eu acho que na cama vale tudo, menos legumes. Já perdi a namorada porque disse que o meu limite era o pepino. E nos dávamos bem, ela também é do coral da igreja.»

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«Um dia Moacyr ("com ipsilone", como se dizia) chegou em casa e encontrou sua mulher na cama com um fuzileiro naval. Comentou que há muito tempo não via fuzileiros navais, com seus uniformes característicos na rua, e até se indignava se a corporação ainda existia.
-- Existimos -- respondeu o fuzileiro Tobias --, mas só para serviços especiais.
E Dalinda, ao seu lado, sorriu e baixou os olhos, imaginando que Tobias se referia a ela.»

Luis Fernando Verissimo, Orgias. (Objetiva)

Nova biografia de Ruy Castro: agora, Carmen Miranda




















A biografia de Carmen Miranda, por Ruy Castro (o autor de Estrela Solitária, a biografia de Garrincha, e de O Anjo Pornográfico, a de Nelson Rodrigues), aí está. A mim soa-me a grande trabalho (apesar da desconfiança do Ivan); além do mais, estive com o Ruy no dia em que ele regressou de Marco de Canavezes, a terra de Carmen Miranda (Várzea de Ovelha) e vi aquele brilho no olhar.

Ruy Castro, Carmen. (Companhia das Letras)


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Entrevista de Ruy Castro ao site da Companhia das Letras:

Carmen, o novo livro de Ruy Castro, é a maior biografia de um artista já publicada no Brasil. Ano a ano, o autor acompanha a vida da brasileira mais famosa do século XX - do nascimento da menina Maria do Carmo, numa aldeia em Portugal (e a vinda ao Rio de Janeiro, em 1909, com dez meses de idade), à consagração brasileira e internacional de Carmen Miranda e sua morte em Beverly Hills, aos 46 anos, vítima da carreira meteórica e dos muitos soníferos e estimulantes que massacraram seu organismo em pouco tempo.
Mas Carmen não é apenas uma biografia. Enquanto entrelaça a intimidade e a vida pública da maior estrela do Brasil, Ruy Castro nos leva a um passeio pelo Rio dos anos 20 e 30, e por Nova York e Hollywood dos anos 40 e 50 - cenários de que é especialista. E ainda resgata a história da música popular brasileira, da praia, do Carnaval, da juventude do passado, da Rádio Mayrink Veiga, do Cassino da Urca, da Broadway, dos gângsters que dominavam os nightclubs americanos e dos bastidores dos estúdios de cinema - numa época em que os beijos eram em Technicolor e em que, para estrelas como Carmen, as noites não tinham fim.


Quando e como surgiu a idéia de biografar Carmen Miranda?
Foi há dez anos, quando terminei de escrever Estrela solitária. De livro para livro, sempre gostei de variar de personagem. Depois de escrever sobre um teatrólogo (Nelson Rodrigues) e um jogador de futebol (Garrincha), achei que gostaria de biografar uma mulher. Pensei logo em Leila Diniz e em Carmen. O foco sobre Leila espalhou-se por Ipanema e se transformou no livro Ela é carioca, de 1999. Mas Carmen merecia um livro só para ela. Hoje está claro para mim que, além de fabulosa cantora, ela foi uma das moças mais modernas e revolucionárias de seu tempo. Carmen era independente, falava palavrão e todo mundo sabia que tinha vida sexual com o namorado, mas ninguém lhe faltava ao respeito. E isso em pleno ano de, digamos, 1930!

Você já afirmou que não escreveria mais biografias. O que o fez mudar de idéia?
A própria Carmen. Era irresistível como artista, como mulher e como personagem. Gosto dela desde que nasci e, talvez, até antes. Meu pai, solteiro no Rio dos anos 30, morava na Lapa, era boêmio, tocava violão e freqüentava as estações de rádio. Era fã de Carmen, de Mario Reis, de Chico Alves, e tinha centenas de discos de 78 rpm. Cresci ouvindo esse repertório. Lembro-me muito bem do dia da morte de Carmen, em agosto de 1955 - tinha sete anos, mas vi como a notícia abalou minha família. E eu próprio sempre a achei a maior cantora brasileira de todos os tempos.

Quanto tempo você levou para investigar e escrever Carmen?
Comecei a trabalhar no livro em janeiro de 2001, recolhendo material em arquivos, sebos e leilões - enquanto isso, estava escrevendo Carnaval no fogo. Em 2003, assim que entreguei esse livro à editora, mergulhei para valer em Carmen. Entre investigar e escrever, foram quase três anos de dedicação integral, e que eu não trocaria por nada. Falei com cerca de 170 fontes diretas, num total de mais de mil entrevistas, incluindo uma grande quantidade de contemporâneos de Carmen - homens e mulheres na faixa dos noventa anos, perfeitamente lúcidos e ativos. (Nunca deixei de me comover com o amor que ainda sentiam por Carmen.) Em certos casos, foi uma corrida contra o tempo - e perdi alguns por uma questão de dias. Graças à ajuda dos amigos, ouvi todos os discos citados no livro e vi todos os filmes - os de Carmen, inúmeras vezes. Fui a Várzea de Ovelha, onde Carmen nasceu, perto da cidade do Porto, e conversei com seus parentes, inclusive uma prima-irmã.

Há descobertas de que você se orgulha particularmente?
Ah, muitas. A primeira foi a reconstituição da infância de Carmen na colônia portuguesa no Rio, no começo do século XX. Outra foi a de que a Lapa, onde ela morou dos seis aos dezesseis anos, de 1915 a 1925, foi fundamental para a sua formação. Carmen estava no lugar certo quando muitas coisas importantes estavam começando: a Lapa, a Cinelândia, a praia, o rádio, o disco e o cinema. Tudo isso é inédito. Outra passagem de que me orgulho é a reconstituição do show no Cassino da Urca em 1940 com a presença de tanta gente do governo na platéia, a maioria simpatizante de Hitler - foi por isso que hostilizaram Carmen e disseram que ela voltara “americanizada”... E, finalmente, a relativização da famosa Política da Boa Vizinhança - que só teve alguma importância porque contou com Carmen Miranda, e não o contrário.

Você diria que Carmen é sua melhor biografia, até pela experiência acumulada?
Sim. Mesmo porque não é só uma biografia. É também um levantamento de uma época maravilhosa e uma história de como as drogas ditas “legais” acabaram com a vida de várias estrelas do cinema, como Carmen, Marilyn Monroe, Judy Garland. Não sei se devo confessar, mas eu próprio chorei ao escrever o final do livro.

Novembro 22, 2005

>> Os melhores livros de 2005 / Votação geral <<









O programa Livro Aberto vai lançar uma votação, entre os seus telespectadores, para elaborar uma lista dos melhores livros do ano. Quatro categorias, atendendo ao ritmo editorial português:


>>>> Ficção Portuguesa

>>>> Ficção Estrangeira

>>>> Poesia

>>>> Ensaio



Na blogosfera, os votos são enviados para o endereço de correio electrónico deste blog sob a forma de listas constituídas por um máximo de dez títulos por categoria. Periodicamente, o blog publicará os resultados parciais e, no dia 5 de Janeiro, será conhecida a lista dos vinte livros mais votados por categoria, os finalistas, abrindo-se um período de oito dias para votações finais com base nessas listas.
Os resultados definitivos serão publicados no dia 12 de Janeiro no blog e na imprensa, além de resultarem numa emissão especial do programa Livro Aberto.

A partir de agora, a votação está aberta. Vamos às estantes recordar os livros que mais nos marcaram em 2005.

Novembro 19, 2005

Homens, mulheres









Leia o artigo de Carla Rodrigues sobre os novos livros de Martha Medeiros e Nelson de Oliveira, respectivamente Divã (Objetiva) e A Maldição do Macho (Record).

Português de ambos os lados do rio

A expressão «Rio Atlântico» foi criada por Onésimo Teotónio de Almeida, num dos seus livros -- e é um debate que regressa de vez em quando ao Gávea. Desta vez, Alex Castro, do blog Liberal, Libertário, Libertino, escreve sobre o assunto a propósito das suas leituras de Lobo Antunes:
«Não adianta se enganar achando que brasileiros e portugueses falam a mesma língua.
Meu pai teve empresa em Portugal e eu passei algumas férias lá, andando com os filhos dos seus sócios por Estoril e Cascais, curtindo a vida de adolescente lisboeta da década de 80. Minhas primeiras leituras foram os pocket-books de terror e mistério da Livros do Brasil e Europa-América, aventuras giras nas quais chuís se envolviam com sensuais raparigas e acabavam se metendo em muitos sarilhos. Depois, viciado pelos grandes descobrimentos, li As Décadas de João Barros e várias outras narrativas de navegadores, escritas em português da época.
Meu conhecimento de lusitano, imagino, deve ser acima da média de um brasileiro comum.
Apesar disso, tenho mais dificuldade de entender a RTP do que a BBC ou a Telemundo. Tentei decifrar o famoso blog português Meu Pipi e simplesmente não consegui.
Nas últimas duas semanas, li quatro livros de António Lobo Antunes - e estou começando o quinto. No total, foram mais de 1.500 páginas de lusitano, em um estilo propositadamente complexo e algo hermético.
Confiem em mim, palavra de brasileiro que entende lusitano melhor que a média: portugueses e brasileiros já não falam a mesma língua faz tempo. Os editores de ambos os países que ignoram esse fato o fazem em detrimento dos leitores (que não entendem lhufas) e autores (cujas obras são mal-transmitidas).»
Ler mais aqui.

Novembro 18, 2005

Vaidade de blogger













Depois da edição de Um Céu Demasiado Azul, saiu agora As Duas Águas do Mar. Ambos na Record.

Só uma nota: eu nunca me importei que o editor brasileiro alterasse a ortografia dos meus livros. Não sou ortodoxo. Sou um traidor. Mas desde que outros autores apareceram nos jornais portugueses a dizer coisas como «eu nunca permiti que alterassem a ortografia dos meus livros no Brasil», sinto-me na obrigação de dizer o seguinte: não só eu não me importaria que o editor brasileiro propusesse algumas alterações à ortografia como, ainda por cima, o editor brasileiro exigiu que os livros saíssem sempre com ortografia do português de Portugal. Portanto, quando lerem aquelas declarações pomposas de autores a dizer que nem uma vírgula permitem que os brasileiros alterem nos seus livros, já sabem: é mentira. É só fita. Os editores não querem mesmo alterar.

Novembro 14, 2005

O Mundo não é Chato, por Caetano Veloso













Recolha de artigos, contracapas de discos, prefácios e polémicas, aí está O Mundo não É Chato, de Caetano Veloso (Companhia das Letras). E opiniões sobre Oswald de Andrade, Bob Dylan, Visconti, Pelé, Jimi Hendrix, Gilberto Gil, Glauber, Tom Jobim, Cazuza, Nelson Rodrigues, Fernando Pessoa, Elis Regina, Lorca e muitos mais.

Risco incalculável

Adauto de Novaes organizou um livro para correr um risco incalculável, mas a experiência pode valer a pena: Poetas que Pensaram o Mundo (Companhia das Letras). Novaes adverte para o perigo, mas mesmo assim antologia textos de Shakespeare, Eliot, Rimbaud, Valéry ou Pessoa.

Amor, amor








É um dos mais recentes lançamentos da Contexto: História do Amor no Brasil, de Mary Del Priori. Moacyr Scliar escreveu uma boa crítica no Estadão. Mas, enfim...

Mary Del Priori é professora da PUC do Rio de Janeiro e da USP e já escreveu uma História das Mulheres no Brasil.

Saramago na frente

A lista dos livros mais vendidos de O Estado de São Paulo deste domingo já inclui o novo romance de José Saramago (As Intermitências da Morte, edição Companhia das Letras) em primeiro lugar. Na semana anterior estava em terceiro.
Já agora, em segundo lugar está O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini e, em terceiro, Memórias das Minhas Putas Tristes, de García Márquez.

Questões coloniais, ainda

Sasha Cavalcante nos comentários do Gávea acerca deste post:
«Como brasileiro, não posso deixar de demonstrar a minha indignação perante determinada corrente de pensamento bastante difundida entre a classe média do meu país, a de uma pretensa língua “brasileira”, que infelizmente tem encontrado eco nas mentes mais xenófobas que habitam este universo virtual. No Orkut, nomeadamente, confesso que tenho abertamente criticado esta tese absurda que, felizmente, grassa em mentes menos esclarecidas.
Tenho o maior orgulho de ter sido colonizado por Portugal, enquanto cidadão, e a plena consciência de que falamos a mesma língua, certeza esta solidificada após 13 anos a trabalhar como jornalista em rádios e jornais do distrito de Santarém.
Não fossem os portugueses e o Brasil não seria o Brasil que conhecemos, o Brasil da bossa-nova, de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, e tantos outros artistas da nossa MPB. Não fossem os portugueses, não teríamos a oportunidade de ouvir a Amália Rodrigues cantar um fado de Vinícius nem o Caetano Veloso interpretar um tema da grande cantora portuguesa. Não teríamos Jorge Amado, Érico Verísssimo e tantos outros. Felizmente, a grande maioria do povo brasileiro e a totalidade da nossa inteligentsia tupiniquim não alinha com esta teoria ufanista, nada e criada nos círculos mais conservadores e reacionários. Eça de Queirós foi sempre o escritor estrangeiro mais lido no Brasil e, mais recentemente, José Saramago conquistou os brasileiros, assim como o grupo Madredeus vê o seu público aumentar. Miguel Sousa Tavares foi citado diversas vezes pela revista Veja, que elogiou o seu romance Equador, e ainda foi convidado do programa de Jô Soares, assim como o jornalista Carlos Fino, que recentemente passou por lá.
É fato que artistas e intelectuais dos dois lados do Atlântico tem mantido uma sólida relação de amizade que dura décadas. Vinícius visitava Amália nas suas idas a Portugal e percorria as tertúlias de Coimbra ciceroneado por Nicolau Breyner e José Niza. Quando Caetano Veloso viveu exilado em Londres no início dos anos 70, firmou amizade com Zeca Afonso, que gravava por lá os seus discos e tinha a presença assídua do baiano no estúdio. É, portanto, ridículo qualquer argumento que venha inventar uma língua brasileira ou até mesmo, o que me é difícil acreditar, que os livros de autores portugueses sejam boicotados no Brasil. Basta uma simples pesquisa pelo Google para perceber que a maioria dos sites na internet sobre Fernando Pessoa é mantido por brasileiros.
Eu sou um sebastianista, acredito na fatalidade que colocou vários povos a falar a mesma língua e que o nosso caminho é mais ou menos por aí, por uma afirmação da nossa língua enquanto identidade cultural, enriquecida pelas diversas variantes do nosso idioma. A chegada dos escritores portugueses será sempre bem vinda, assim como qualquer outra manifestação cultural.»
Eu sou um sebastianista, acredito na fatalidade que colocou vários povos a falar a mesma língua e que o nosso caminho é mais ou menos por aí, por uma afirmação da nossa língua enquanto identidade cultural, enriquecida pelas diversas variantes do nosso idioma. A chegada dos escritores portugueses será sempre bem vinda, assim como qualquer outra manifestação cultural.»
Sasha Cavalcante

Novembro 04, 2005

Debate

Interessante o debate sobre o artigo de Sanches Neto que já motivou um artigo do Diário de Notícias, de Lisboa (2 páginas), além de uma crónica de Eduardo Prado Coelho no Público. Ver também o post de Eduardo Pitta no Da Literatura.

Por gentileza do Gonçalo Soares, está aqui o texto integral do artigo de Sanches Neto.

Para os leitores brasileiros interessados em acompanhar de perto alguns debates e opiniões portugueses, sugiro o Da Literatura.

Novembro 02, 2005

Ensaios



















Ensaios de António Cícero: sobre poesia, sobre poetas, sobre teoria da literatura, sobre João Cabral de Melo Neto. Finalidades sem Fim, na Companhia das Letras.

Bruna.

Acabou o blog da Bruna Surfistinha. Tanto escreveu que acabou por publicar um livro (O Doce Veneno do Escorpião. O Diário de uma Garota de Programa, edição Original). Adeus voyeurs.

Outubro 22, 2005

Neo-colonialismo e literatura.

A Carta Capital, uma boa revista brasileira que começou por ser apenas de economia, publicou um texto de Miguel Sanches Neto com queixinhas sobre os escritores portugueses, intrusos no Brasil, e com uma inabitual lengalenga sobre neo-colonialismo (que o governo português envia hordas de escritores para o Brasil) e nacional-proteccionismo (que o português do Brasil é melhor do que português europeu -- o que tem uma raiz verdadeira, mas dito assim...). Como este blog está à vontade em matéria brasileira e luso-brasileira, acho que o texto era medíocre, invejoso e senil. O embaixador português no Brasil, Francisco Seixas da Costa, achou que o assunto merecia um reparo. Está aqui a sua resposta, na íntegra. Boa diplomacia também é isto: responder quando alguém pergunta alguma coisa.

«No Brasil há menos de um ano, aprendi rápido que a abertura ao mundo constitui uma das matrizes deste país, fruto da sua permanente convivência descomplexada com a diferença. A brasilidade fez-se e firmou-se sobre todas as marcas e referências que aqui chegaram, usando-as e transformando-as num magma cultural original, com uma identidade fortíssima, que hoje não precisa de defesas artificiais para se afirmar.

Por tudo isso, foi com alguma surpresa que li o artigo de Miguel Sanches Neto, “Brasil recolonizado”, onde é feita uma aberta apologia do proteccionismo linguístico, do fechamento da fronteira cultural do Brasil à nova literatura portuguesa, tida por poluente veículo de uma estética convencional, apoiada numa norma escrita já decrépita, fechada à sacralização da oralidade. A crer no autor, urge afundar no horizonte, pela crítica profilática, as novas naus de letras que agora trazem por aí Inês Pedrosa, Sousa Tavares, Lídia Jorge, Lobo Antunes, Hélder Macedo, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto, Francisco José Viegas, Rui Zink e tantos e tantos outros, com o usurpador nobélico Saramago na proa. Por que não se deixa que sejam os leitores brasileiros a usar a sua maturidade para separar o trigo do joio, o que gostam ou não, sem necessitarem de filtros tutelares preventivos?

Faço a justiça de não colocar Sanches Neto nos cultores do despeito atávico pelo que vem da “terrinha”, coisa velha em algumas mentalidades residuais, onde o anti-portuguesismo – essa doença infantil da brasilidade – se mantém recorrente, espreitando pelas esquinas do preconceito, sobrevivendo em algumas vozes e penas, no desespero em tentar fazer do Brasil e de Portugal dois países separados por uma língua comum. Mas é bem triste ver adubada e ajudada essa mesma deriva por figuras da cultura, dando verniz ideológico e intelectual ao preconceito.

Deixo apenas uma nota mais.

Na minha juventude em Portugal, a ditadura não se atrevia a privar-nos de Amado, Guimarães Rosa ou Veríssimo, a afastar-nos da Pasárgada da esperança acenada por Bandeira, que nos ajudava a sonhar longe dos “mortos de sobrecasaca” que nos rondavam os dias. Se alguém hoje ousasse por lá dizer que Nélida Piñon, Ferreira Gullar, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, João Ubaldo Ribeiro ou o outro Veríssimo afectavam a estética literária caseira teria, como resposta, uma gargalhada do tamanho do Atlântico, ouvida no Além pela velhinha de Taubaté.

Francisco Seixas da Costa, Embaixador de Portugal no Brasil.»

Setembro 22, 2005

Enfim

O Jabuti para Nelida Piñon. Quase o mesmo que dizer que Machado esteve na ABL.

Setembro 07, 2005

São Francisco de Paula.















Os dois homens estão sentados
frente a frente. Chimarrão, mate,
fumo de cigarro, cavalos rente
a uma cerca de madeira. Um fogo
a meio da madrugada. Um deles
dedilha o violão, o outro recita,
as mãos nos joelhos.

Os dois gaúchos olham a erva rasa,
o risco de luz entre as araucárias.
Há um silvo absurdo no interior
do bosque. Uma guabiroba abateu
depois das chuvas, entre raízes
de caúnas e rastos de animais.

Quando vem o minuano? Preparado
para o vento, um deles ergue-se,
chamado pela escuridão do céu,
responde por todos os nomes da serra,
iluminado pelas brasas do chão.
O outro olha mais além, procurando
os sinais da tempestade.

Viagem a Pelotas

Corpos celestes, ventanias, poeira,
muros em ruínas, sabor de areia.
Lagoas que correm ao longo da estrada
como um mapa cheio de pontos desconhecidos

e luminosos. Uma geografia assim,
sobrevoando a cidade colonial e em ruínas,
os riscos de fumo nas montanhas, a poesia
mais afastada dos perigos, junto do riso,

tudo para que o deserto não se prolongue
e os animais da noite encontrem
os caminhos. Lagos. Insectos esvoaçando,
rios, arroios, aviões sobre o pampa

e sobre as águas da chuva, cidades
adormecendo antes da noite, uma mesa
onde aguardamos o vento, vindo do pátio,
da escuridão mais perto da luz.

Tratado de Geografia do Sul














(Cambará do Sul)




Brasil de musgos e sombras, veredas onde
a música não entrou ainda, nem o batuque,
nem outra cor que dê alma aos seus mortos.
Árvores por onde cresce a humidade, o silêncio,
onde passa o voo dos quero-quero vigiando
as fronteiras. Colinas sem inclinação, cavalos
que passam pela chuva transformada em neve
no Brasil das serras. Lã, ponchos, fogos, queimadas,
arvoredos, poemas vindos do nada, madeiras,
trilhas, escadarias, neblinas nos lagos, tisanas
e pimentas, estradas de terra húmida, sotaque
de geada, céu negro em São José dos Ausentes.

Fronteiras, lagoas, gaúchos envoltos na luz
pálida do meio-dia, impressão de glória
ou de deserdados, vida breve de cachoeiras
no vento do sul, caminhos que não se perdem
nunca, desfiladeiros sobre o que há-de ser o pampa,
sobre o que há-de ser a vida inteira, hino da terra,
harpas em campos abertos, animais, observatórios,
planetas vistos entre arvoredos, vento polar arrastado
pelos pássaros, manhãs, tardes, vastas noites, vastas
noites no coração da tempestade, muros de lama,
cidades vazias onde o passado guardou
a arqueologia dos seus nomes. E peregrinos,
perdições, dias escuros, araucárias nos caminhos,
pecados, preces e traições do entardecer,
delicadeza vaga sem uma palavra que a explique,
luar profundo, animais do sul mais ao sul,
língua rara, língua própria, coisas que gelam
à superfície. E cavaleiros na linha do horizonte,
recortados junto de casas abandonadas, luz
descendo sobre os pântanos, poeira, vinhedos.

E uma geografia desfeita, subindo pelas serras,
desconhecida, sem a amargura dos abandonados
e sem a doçura dos que se sentem amados.

São José dos Ausentes.












Sol debruçado sobre as neblinas,
primeiros vaga-lumes. Barreira contra
a ventania, uma nuvem sobre outra,
silêncio sobre silêncio, vegetação,
passos no meio da chuva.

Agosto 18, 2005

A Região Submersa. Agora a negro.














Foi em Portugal que Tabajara Ruas (então no exílio) publicou A Região Submersa pela primeira vez. Agora, a Record incluiu o livro na sua série Negra. Fantástica aventura de Cid Espigão, o detective de Porto Alegre. O livro também está publicado em Portugal pela Ambar,

Tabajara Ruas (1942), gaúcho de Uruguaiana, é escritor, tradutor e autor de guiões para televisão e cinema. Entre 1971 e 1981, Tabajara viveu exilado e morou em diversos países: Chile, Argentina, Dinamarca e Portugal. Actualmente trabalha como publicitário entre Porto Alegre e Florianópolis. Entre os seus livros estão Netto Perde a Sua Alma (Record no Brasil e Ambar em Portugal), O Fascínio (Record no Brasil e Ambar em Portugal), Perseguição e Cerco a Juvêncio Gutierrez (Record no Brasil e Ambar em Portugal), O Amor de Pedro por João (Record), As Armas e os Varões Assinalados (LPM).

Os artistas da bola. Domingos da Guia.























O fantástico Domingos da Guia biografado por Aidan Hamilton, no livro Divino Mestre (edição da Gryphus). Hamilton, que é jornalista da BBC, já tinha publicado o livro Um Jogo Inteiramente Diferente.

[DOMINGOS DA GUIA Começou jogando no Bangú em 1929. Depois se transferiu para o Nacional de Montevidéu onde conquistou o titulo de campeão uruguaio de 1933. Voltou ao Brasil para jogar no Vasco e foi campeão carioca em 1934. Saiu novamente para vestir a camisa do Boca Junior e outra vez foi campeão argentino de 1935. A próxima camisa foi a do Flamengo. No clube da Gávea foi campeão carioca nos anos de 1939. 1942 e 1943. Já veterano defendeu o Corinthians Paulista e encerrou sua carreira onde começou, no Bangú. Jogava de cabeça erguida, tinha uma perfeita noção de colocação e se destacava pela antecipação nas jogadas. Por seu futebol quase perfeito, tinha o apelido de Divino.

Vestiu a camisa da seleção brasileira em trinta partidas. Disputou vários campeonatos sul-americanos mas nunca foi campeão. Participou da Copa do Mundo de 1938 e ficou em terceiro lugar. Seguindo os passos e a tradição do pai, Ademir da Guia foi um dos mais clássicos e elegantes jogadores do nosso futebol. Domingos da Guia nasceu no dia 19 de novembro de 1912 no Rio de Janeiro, e morreu no dia 18 de maio de 2000.]
Ver mais aqui.

Milton Hatoum. Regresso a Manaus.














Novo livro de Milton Hatoum, Cinzas do Norte (edição Companhia das Letras). O regresso a Manaus entre 1950 e 1960.

[
Na Manaus dos anos 1950 e 1960, dois meninos travam uma amizade que atravessará toda a vida. De um lado, Olavo, de apelido Lavo, o narrador, menino órfão, criado por dois tios mal-e-mal remediados, que cresce à sombra da família Mattoso; de outro, Raimundo Mattoso, ou Mundo, filho de Alícia, mãe jovem e mercurial, e do aristocrático Trajano.
No centro das ambições de Trajano está a Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. A fim de realizar suas inclinações artísticas, ou quem sabe para investigar suas angústias mais profundas, o jovem engalfinha-se numa luta contra o pai, a província, a moral dominante e, para culminar, os militares que tomam o poder em 1964 e dão início à vertiginosa destruição de Manaus. Nessa luta que se transforma em fuga rebelde, o rapaz amplia o universo romanesco, que alcança a Berlim e a Londres irrequietas da década de 1970, de onde manda sinais de vida para o amigo Lavo, agora advogado, mas ainda preso à cidade natal.]

Milton Hatoum é autor de Dois Irmãos e de Relatos de um Certo Oriente, ambos publicados pela Companhia das Letras, no Brasil, e pela Livros Cotovia em Portugal. Mais informações sobre Milton aqui.

Prémio Portugal Telecom

O Diário de Notícias de hoje publica uma lista de livros candidatos ao Prémio Portugal Telecom. Trata-se, na verdade, de um conjunto de livros que podem vir a figurar na shortlist final, habitualmente com dez títulos.

Agosto 08, 2005

Lista para o Jabuti

1º - Vozes no Deserto
Nelida Pinon - Editora Record

2º - Lorde
João Gilberto Noll - W11 Editores

3º - O Opositor
Luis Fernando Veríssimo - Objetiva Ltda

4º - Maré Nostrum
Salim Miguel - Editora Record

5º - O Vestido
Carlos Herculano Lopes - Geração de Comunicação Integrada Comercial Ltda

6º - Guerra em Surdina
Boris Schnaiderman - Cosac e Naify Edições Ltda

7º - O País dos Ponteiros Desencontrados
Flávio Moreira da Costa - Agir Editora Ltda

8º - Santo Reis da Luz Divina
Marco Aurélio Cremasco - Editora Record

9º - Francisco Félix de Souza
Alberto da Costa Silva - Nova Fronteira

10º - O Fotógrafo
Cristóvão Tezza - Editora Rocco

Agosto 05, 2005

Egocentrismo, um pouco (o blogger, ele mesmo)













Crítica, no JB, a um livro do blogger, ele mesmo.

Agosto 01, 2005

Verissimo a pedido.

Leitores do Gávea querem um cheirinho do livro de Verissimo citado aí mais em baixo. O começo:

«Me chame de Ismael e eu não atenderei. Meu nome é Estevão. Como todos os homens, soi oitenta por cento água salgada, mas já desisti de puxar destas profundezas qualquer grande besta simbólica. Como a própria baleia, vivo de pequenos peixes de superfície, que pouco significam mas alimentam. Você talvez tenha visto alguns dos meus livros nas bancas. São aqueles livros mal impressos em papel de jornal, com capas coloridas em que uma mulher com grandes peitos de fora está sempre prestes a sofrer uma desgraça. Escrevo um livro por mês, com vários pseudônimos americanos, embora meu herói -- não sei se você notou -- sempre se chame Conrad. Conrad James. Herman Conrad. Um ex-marinheiro de poucas palavras. Um peixe pequeno, mas mais de uma cidade foi salva da catástrofe pela sua ação decisiva entre as páginas 90 e 95. Tenho uma fórmula: a grande trepada por volta da página 40, o encontro final com o vilão, e o desenlace a partir da página 90. Sobrevivo. Nunca mais vi o mar. Pensando bem, não saí mais de casa desde o meu acidente. Perdi o pé. Não quero falar disso. Tem uma mulher, Maria, claro, que vem cozinhar para mim e sempre chega com notícias da decomposição da sua família. "Minha mãe tá com a urina preta", justo quando eu estou tomando café. Tem uma moça que vem duas vezes por semana fazer a faxina mas sempre acaba na minha cama. Há dois anos que ela vem, Lília, Lília e ainda não espanou um livro. É assim que eu vivo. Exile and cunnilingus. Mas não era isso que eu queria contar.»

O Jardim do Diabo, recordo, foi o primeiro romance de L.F. Verissimo, publicado em 1988, e esta edição da Objetiva apresenta o texto revisto pelo próprio.

Rubem revisto. E acrescentado.












Crítica & recensão do Ubiratan Brasil (O Estado de S. Paulo) ao livro de Rubem Fonseca, aqui.

Mais um extracto do livro (publicado pelo Leões de Tolstoi):

«Quando cheguei na Vara Criminal, dona Neide estava sentada num banco na antesala do juiz.
Dona Neide, a senhora se lembra do que combinamos, não lembra? O seu Rosalvo cruzou a rua subitamente...
O nome dele era Raimundo, disse ela, me interrompendo.
O seu Raimundo, continuei, atravessou a rua fora da faixa e surpreendeu a senhora, que usou os freios mas mesmo assim não conseguiu evitar o atropelamento. É isso que a senhora vai dizer ao juiz, está bem? Pouco depois, fomos chamados à presença do juiz. (...) Muito bem, dona Neide, disse o juiz, quero ouvir um relato sucinto dos fatos. Como foi que ocorreu o atropelamento? A senhora já prestou um depoimento na polícia e eu gostaria que a senhora falasse novamente sobre essa ocorrência. (...) A coisa aconteceu assim, seu juiz. Eu estava distraída falando no meu celular, com umavizinha minha que fezoperação da vesícula, uma operação complicada porque ela teve uma crise, cólicas fortíssimas, e foi internada.
Dona Neide, atenha-se aos fatos, alertou o juiz, a senhora estava dirigindo distraída, falando no seu telefone celular e...? O seu Raimundo, coitadinho, apareceu na minha frente, e eu o atropelei, disse dona Neide (...) Abri a boca para falar, mas o juiz fez um gesto com a mão aberta, como dizendo que se eu falasse alguma coisa ele ia me expulsar da sala.
Dona Neide, disse o juiz, na polícia as suas declarações foram diferentes.
Eu fiz o que o doutor Mandrake mandou naquela ocasião, disse dona Neide, mas hoje ele disse para eu falar a verdade, foi um alívio para mim.»

Julho 30, 2005

Joel Silveira, e «O Inverno da Guerra»













Joel Silveira – 86 anos e mais de 60 de profissão – é considerado o repórter que mudou o jornalismo brasileiro. Foi correspondente de guerra, colunista, editor. Tem vários livros publicados como: Viagem com o presidente eleito, A camisa do Senador, A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, A Feijoada que Derrubou o Governo e o Diário do Último Dinossauro. O Gávea já o incluiu entre os seus autores.
A Objetiva acaba de lançar O Inverno da Guerra, reportagens de Joel Silveira durante a II Guerra, quando partiu para a Europa ao serviço da cadeia de jornais de Assis Chateaubriand, os Diários Associados, acompanhando o contingente brasileiro «até à rendição alemã».

Reedição de Verissimo














O primeiro romance de Verissimo, um thriller bem-humorado, O Jardim do Diabo (Editora Objetiva) acaba de ser publicado e inteiramente revisto pelo autor. Conta a história do assassinato de uma mulher que envolve Estevão, autor de romances policiais. A primeira frase é fabulosa. Mais ou menos isto: «Tratem-me por Ismael e eu não respondo; meu nome é Estevão.» A Objetiva também lançou uma versão das tiras de Aventuras da Família Brasil.

Novo Rubem Fonseca. Morram de inveja!



















O novo romance de Rubem Fonseca leva o título A Bíblia e a Bengala (Companhia das Letras) e vai entrar em distribuição em breve. Assunto do novo livro: o roubo de um dos raros exemplares da Bíblia de Mogúncia, de Gutenberg, e o desaparecimento de uma assassina bengala Swaine. Para amantes de Rubem, no entanto, há um pormenor essencial a ter em conta: o personagem principal é o investigador e advogado criminalista Mandrake, o mesmo de A Grande Arte, a obra-prima de Rubem, prémio Camões de 2003.

Extractos do livro:

«Você me disse que não se envolvia com mulheres casadas e você e ela estavam fodendo, o marido deve ter descoberto e você matou o infeliz, você é um assassino, um mentiroso, um canalha que se finge de bonzinho, pensa que eu não sei por que fodia comigo? Para fazer uma boa ação, para se redimir dos seus pecados, eu, o doutor Mandrake, sou bonzinho, estou fodendo a aleijadinha, eu vou para o céu. Você vai é para o inferno, seu filho-da-puta. Helena arrancou os sapatos e andou pela sala, mancando. Está vendo a aleijadinha que tem uma perna mais curta que a outra, que você, para conseguir foder, tomava Viagra escondido ou outra merda dessas, olha para mim, seu pulha, olha para a aleijadinha.»


«Meu pai passava o dia e a noite acordado, quando ia para a cama ficava lendo e eu lhe pedia que parasse de ler, apaga a luz de
cabeceira e vamos dormir, eu dizia, e ele respondia que não queria dormir e quando não estava lendo ficava de olhos abertos olhando para o teto ou para a janela. Fecha os olhos, eu pedia. Não fecho, não posso fechar os olhos, se fechar os olhos eu morro. A luz da cabeceira permanecia acesa, eu acordava no meio da noite, do meu sono agitado, e lá estava ele, de olhos abertos, olhando para o teto. Um dia notei que ele estava de olhos fechados e pensei, aliviado, afinal ele dormiu, e apaguei a luz da cabeceira. Quando acordei, pela manhã, ele estava morto.»


A Grande Arte, de Rubem Fonseca, foi publicado pela Companhia das Letras no Brasil; há uma edição portuguesa publicada em 1987 pelas Edições 70.

Porto Alegre, São Paulo, Recife

Um dos habituais comentadores do Gávea escreveu a propósito dos posts sobre tertúlias em Poerto Alegre e São Paulo, chamando a atenção para o Recife:
«Como disse, Porto Alegre é de facto a metrópole mais européia do Brasil. Convivem descendentes de alemães, de italianos e, sobretudo, de açorianos. Há, também, um imenso bairro da diáspora ashkenazi. Recife, quase 4.000 km na direção nordeste, é também um encontro de gentes de diferentes origens: portuguesa, africana e autóctone. Em Porto Alegre há uma saudável competição entre as culturas que integram a cidade. Já Recife, no que toca à civilização, é quase exclusivamente portuguesa. O rosto de Porto Alegre é europeu e o de Recife mestiço, moreno. Em ambas as metrópoles, ainda que por diferentes razões, os portugueses encontrarão muitas afinidades. Já São Paulo seria a única capital de vocação autenticamente "americana", a representar mais um aspecto dos diferentes Brasis...»
Ficamos à espera de indicações sobre tertúlias pernambucanas.

Curso Breve de Literatura Brasileira




















Para mostrar apenas a capa do primeiro volume da colecção, Curso Breve de Literatura Brasileira, da Cotovia, o Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado. Abel é, de facto, o grande divulgador da literatura brasileira em Portugal, um dos autores do melhor blog português do momento, o Casmurro, onde colaboram também Osvaldo Silvestre, Manuel Portela, Pedro Serra ou Gustavo Rubim.

Abel Barros Baptista é autor de, entre outros, O Professor e o Cemitério. Rusga pelo «José Matias» de Eça de Queiroz Entendido como Percurso de Assassinatos Regulares, 1986; Auto Bibliografias. Solicitação do Livro na Ficção e na Ficção de Machado de Assis, 1998; A Infelicidade pela Bibliografia, 2001. Director-adjunto da revista Colóquio/Letras, Abel escreve em jornais e revistas de Portugal e do Brasil e é co-autor, com Luísa Costa Gomes, do romance O Defunto Elegante (Lisboa, 1996) e, com Gustavo Rubim, de Importa-se de me emprestar o Barroco?. O seu mais recente livro de ensaios é Coligação de Avulsos. Ensaios de Crítica Literária (na Cotovia).

Abel










No suplemento Mil Folhas do Público deste fim-de-semana, não perder a entrevista com Abel Barros Baptista, o criador da colecção de literatura brasileira lançada pela editora Cotovia. Infelizmente, como se sabe, só disponível online para assinantes do jornal.

Foreign sound













O Festival de Cinema de Gramado foi pouco mais do que chato. Mas havia frio suficiente, chuva e neve como promessa. Novidade excelente: vinho tinto muito bom, o da Cantina, um cabernet sauvignon de que foram arrebatadas as melhores garrafas para um grupo que ocupou a esplanada aí acima. A Rua Coberta, mesmo em frente, foi palco para tardes de conversa. E parece que havia filmes, sim.

Julho 29, 2005

Barão de Itararé.

«O fígado faz muito mal à bebida.»

Frase deliciosa, não?

Ver mais aqui sobre o gaúcho Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé.

Delírio do blogger, na verdade

















Publicado na última edição da LER, em Portugal, o conto «O Manuscrito de Buenos Aires». Link aqui. Um falso Quijote.

Cruz Alta, Verissimo

Para quem vem do mar, Cruz Alta, no Rio Grande do Sul, inaugura o chamado território das missões. Erico Verissimo nasceu aí em 1905 e atravessou quase todo o nosso século XX. Estive duas vezes em Cruz Alta quando descia em busca da paisagem das missões – campos cruzados de rios, lagoas, neblinas, na direcção da Argentina e, mais ao norte, do Paraguai. É naquela parte do Brasil que se descobre com mais clareza que Camilo, bem como o nosso século XIX, tinham razão. Não se tratava de Brasil mas de Brasis.
Texto da crónica completa aqui.

A não perder, em viagem, 2

E em São Paulo, recomendam-se as sessões do Bar Zé Batidão, no Jardim Guarujá (Rua Bartolomeu dos Santos, 797; telef. 11-5891-7403), às quartas-feiras, organizadas pela Cooperifa (Cooperativa da Periferia). Os seus debates e leituras já estão reunidos em livro publicado pelo Itaú Cultural.

A não perder, em viagem, 1

Para quem estiver de viagem pelo Brasil nesta temporada, não perder as terças-feiras mais do que animadas no Bar Ocidente, em Porto Alegre, no bairro do Bom Fim, cenário de muitos livros de Moacyr Scliar e também dos chamados «movimentos culturais» da cidade mais europeia do Brasil, a capital gaúcha, além de registar a maior concentração de bares da América do Sul. São os Saraus Elétricos, onde podem ser visitas Luis Fernando Verissimo, Moacyr Scliar, L.A. Assis Brasil ou Luis Augusto Fischer. Chegam a estar 100 pessoas – a entrada custa R$5, e há bebidas durante as sessões (Rua João Telles, Bom Fim, telef. 51-3312-1347).

Ulysses brasileiro












Até agora, o leitor de língua portuguesa tinha duas versões disponíveis do Ulysses, de Joyce: a de João Palma Ferreira (edição Livros do Brasil) e a de António Houaiss (edição, no Brasil, da Civilização Brasileira; edição portuguesa na Difel). Bernardina da Silveira Pinheiro, professora carioca e já tradutora de Joyce (Retrato do Artista Quando Jovem) e de Lawrence Sterne, preparou uma nova versão, agora publicada pela Objetiva.

Só pra não dizer que não falei.


















No novo livro de Jô Soares, Assassinatos na Academia Brasileira de Letras (Companhia das Letras), há um personagem curioso: um alquimista chamado Paul Lapin, com cerca de duzentos anos de idade. Isto basta para mencionar, de novo, a expressão «pimenta local», não?

O pícaro moderno?

Scaramouche Araújo é o personagem central do livro de Mano Melo (Viagens e Amores de Scaramouche Araújo, edição Five Star), um jovem que, em pleno governo Médici, nos anos de chumbo da ditadura brasileira, decide partir pelo mundo fora, para visitar geografias tão distantes como a Holanda ou Goa, o Paquistão ou a França – um aventureiro brasileiro temperado de Jack Kerouac e de pimenta local.

Negritude revisitada.

O conceito de negritude foi central na antropologia dos anos setenta e oitenta, e Peter Fry, hoje com 63 anos, estudou as relações sociais e raciais no Brasil do século XX em livros como Feijoada e Soul Food, de meados dos anos setenta. Um dos pontos essenciais era a crítica à ideia de democracia racial e à obra de Gilberto Freyre (Casa Grande e Senzala). Passados estes anos, Fry regressa para chocar as universidades, os marxistas, os «estudos de género» e os antropólogos e políticos que defendem a excelência das quotas e da discriminação positiva. O livro chama-se A Persistência da Raça (edição Civilização Brasileira) e analisa a colonização portuguesa em Angola e Moçambique, por exemplo, além de reabilitar Gilberto Freyre e de lançar dúvidas sobre a submissão do Brasil a lógicas americanas de «combate» ao racismo. A ler.

Política sem correcção






Reinaldo de Azevedo é uma das vozes politicamente incorrectas do Brasil de hoje. Jornalista, passou pela Folha de São Paulo, pela Bravo, pela República (de boa-memória) e pode agora ser lido na Primeira Leitura. A editora Barracuda lança Contra o Consenso, reunião de alguns dos seus textos mais marcantes sobre cultura, sociedade, arte e – sempre – política.

Brasil radical

Reunião de fantasmas: o rapper MV Bill, o entusiasta do hip-hop Celso Athayde e o sociólogo Luiz Eduardo Soares lançam um livro a seis mãos, Cabeça de Porco (edição Objetiva) sobre a relação entre drogas, hip-hop, rap e a cultura urbana em cidades brasileiras da linha da frente (São Paulo, Rio, Porto Alegre, Belo Horizonte…).

Caio redescoberto

Redescoberta no Brasil e ainda ignorada e muito pouco lido em Portugal, a ficção do gaúcho Caio Fernando Abreu (1946-1998), em reedição permanente: a editora Agir publicará em 2006 grande parte da obra do autor de Onde Andará Dulce Veiga? (Companhia das Letras), que passa agora ao cinema, adaptado por Guilherme de Almeida Prado. Entretanto, acaba de ser publicado o volume de contos Morangos Mofados, depois de Caio 3D – O Essencial da Década de 1970, onde se reúnem contos, poemas, cartas, e a extrema beleza de uma obra que procura sempre uma felicidade rara.

Abril 27, 2005

O blogger, ele mesmo


Sim, acabou de sair Longe de Manaus. O blogger, ele mesmo.

Dulce Maria Cardoso na Companhia das Letras


O livro Campo de Sangue (edição portuguesa na Asa) acaba de sair na Companhia das Letras. Dulce estará na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Ler mais sobre o livro.

Para os leitores portugueses, Dulce Maria Cardoso será entrevistada na emissão do Livro Aberto (RTP-N e :2) de 21 de Maio próximo.

Moacyr Scliar e Cinco Dedos de Prosa.


O livro é Na Noite do Ventre, o Diamante, de Moacyr Scliar, que encerra a colecção Cinco Dias de Prosa, da Objetiva.
Leia mais sobre o livro. E sobre Moacyr.

Fevereiro 17, 2005

Desvario



Lamentamos informar que o Gávea se encontra aqui, folheando livros. Nem todos recentes, mas isso não conta.

Fevereiro 05, 2005

Adélia Prado



Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de Dezembro de 1935. A sua poesia está reunida em Poesia Reunida, publicada pela Siciliano.

Bienal 2005


A XII Bienal do Livro, no Rio, será de 12 a 22 de Maio. Aceitam-se marcações de encontros para cafezinho e chope. O Gávea vai estar lá.

Já agora, a VI Bienal Internacional do Livro da Bahia, será em Salvador, de 2 a 11 de Setembro. Ainda falta muito. Daqui até lá, veremos o apetite para o acarajé.

Mussa

Alberto Mussa, com O Enigma de Qal (Record) distinguido com um dos prémios da Casa das Américas. Para mais informação sobre Mussa e este livro, ver o Gávea, aqui.

Espinosa

Logo depois das férias (estamos a falar do Brasil), a Companhia das Letras receberá o manuscrito do novo livro de Luiz Alfredo Garcia-Roza, um romance sem o inspetor (ou inspector?) Espinosa como personagem central. Para aqueles que não passaram por lá, aqui se recorda o texto «Espinosa de A a Z», no Textos da Gávea, bem como uma entrevista de Garcia-Roza publicada na revista Ler, em Portugal, e transmitida na rádio Antena Um, de Lisboa. A entrevista levava o título «Um Marlowe brasileiro».

Carregamento

O Gávea, daqui a dez dias, estará no hemisfério sul. Voltará carregado de livros. Não se aceitam encomendas.

Novidades brasileiras na Cotovia

André Jorge, o editor português da Cotovia (Sérgio Sant’anna, Bernardo Carvalho, etc.) anuncia que publicará o novo Sérgio Sant’anna – e está a ponderar publicar, finalmente, João Gilberto Noll. Finalmente. Pedro Mexia, por outro lado, prepara um volume com as crónicas de Nelson Rodrigues também para a Cotovia. A Cotovia, já agora, prepara uma colecção inteiramente dedicada à literatura brasileira, coordenada por Abel Barros Baptista.

Futebol, cara



Para os que gostam de futebol e estão de férias de bola, aqui está As Capas da Copa, Orlando Duarte e Fábio Amaro, que reúne, além do mais, as principais capas dos jornais do mundo inteiro no dia primeiro de Julho de 2002 -- justamente o Brasil obteve o penta no dia anterior. A edição, ah! surpresa!, é da Cosac Naify, uma editora que merece destaque pelos seus grafismos.

Moçambique no Brasil



E também para os nossos amigos que podem emigrar para Tabatinga e que gostariam de espreitar um pouco de Moçambique, a Companhia das Letras já publicou dois livros de Mia Couto: Um Rii chamado Tempo já está nas estantes, e O Último Voo do Flamingo chega às livrarias brasileiras na próxima semana.

Mesmo que fosse obsessão



Mesmo que fosse obsessão, isto das obras de Verissimo (na Companhia das Letras). Para os nossos amigos que podem emigrar para Tabatinga e ler a última parte de O Arquipélgo, da trilogia O Tempo e o Vento. Acaba de sair Do Diário de Sílvia, o retrato que Verissimo faz de uma professora de 25 anos e da sua forma de romper o casamento com um estancieiro (fazendeiro, para os amigos portugueses) do pampa.

Emigrar antes do Carnaval



Para os nossos amigos que não podem emigrar para Tabatinga, fica aqui O Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro, de Felipe Ferreira, edição Ediouro.

Agualusa

Por estes dias, José Eduardo Agualusa chega ao Brasil. Peregrinações de cidade em cidade.

A viagem de Iaqub, 2

Como seria Manaus nesse ano de 1894, quando Iaqub desceu do barco, no Rio Negro, e viu as obras das ruas, a lama dos pátios? Devia ser um desgosto grande e uma dor sem nome, porque a Serra de Contamana, a fronteira com o Peru, tinha o perfil negro da maldição lançada sobre todos os homens solitários que se atrevem a enfrentá-la ao fim do dia. Em Manaus, o Rio Negro assustara-o: os únicos rios que vira, em sonhos certamente, tinham sido os rios da Mesopotâmia, e nenhum era tão grandioso, tão frio, tão profundo e tão escuro como aquele Amazonas que o barco persegue de Belém para Santarém e, finalmente, de Santarém para Óbidos, de Óbidos para Juruti e Itacoatiara, de Itacoatiara até às águas sujas de Manaus, onde Iaqub chegara em Dezembro de 1894, numa manhã de domingo em que os sinos tocavam às primeiras horas da manhã e se aproximava o Natal dos cristãos.

Memórias do Rio Grande

Silvia Chueire/Eugenia Fortes, sobre Veríssimo (vem nos comentários): «Li O Tempo e o Vento quando tinha em torno de dez ou onze anos. Ana Terra devo ter lido umas três vezes, impressionada sempre com a força, a coragem, a beleza da história, da Ana. E principalmente porque aos meus olhos infantis tudo decorria como num filme. Eu via claramente paisagens, ambientes e personagens.E abosorvia o sentimento gaúcho. Ainda hoje me lembro de como "sonhei" o Rio Grande Do Sul, aqueles lugares todos. As vidas, as tramas.»

A nova Lusitânia, ou o Recife

De um leitor do Recife (está nos comentários): «A distância geográfica entre o Rio Grande do Sul e o Recife é bem maior do que a que separa Pernambuco do Senegal. Não surpreende que um visitante recifense se sinta meio estrangeiro em ambos os longínquos sítios. O que nos une é a marca portuguesa, indelével tanto na Nova Lusitânia (assim se chamava Pernambuco até o séc. XVIII) e as terras gaúchas, povoadas que foram por açorianos. O que nos torna diferentes é que em Pernambuco os portugueses (frequentemente da região de Viana do Castelo, mas também houve açorianos) se misturaram com as índias, e posteriormente agregaram o componente africano. Já no Rio Grande do Sul costeiro vê-se muito mais nitidamente Portugal no rosto das pessoas (no interior, alemães, italianos, e alguns mulatos na região de fronteira) e a imigração, apesar de ter seus 200 anos, é muito mais recente. Pernambuco já tentou se libertar do Brasil por duas vezes, no séc. XIX. O Rio Grande do Sul também fez das suas. Mas o casamento até que tem sido duradouro...»

Fevereiro 01, 2005

Entrevista com Luiz Antônio Assis Brasil



A Margem Imóvel do Rio, de Luiz Antônio Assis Brasil será finalmente publicado em Portugal, pela Ambar (edição brasileira na LPM, de Porto Alegre). O autor estará em Portugal para as Correntes d'Escrita, a realizar na Póvoa de Varzim, já dentro de duas semanas. Leia aqui o extracto de uma entrevista transmitida em Portugal pela rádio Antena Um.

Entrevista com Milton Hatoum


Leia aqui um extracto da entrevista de Milton Hatoum, transmitida pela rádio Antena Um (Lisboa) -- publicada na revista LER.

Mais Verissimo



Depois de começada a trilogia o Tempo e o Vento, uma boa ideia para a reedição da obra completa do escritor, a Companhia das Letras lança Ana Terra, de Erico Verissimo -- parte da saga, claro, juntamente com os três volumes de O Arquipélago, O Retrato e O Continente , já reeditados. Já tinha chegado às livrarias a nova edição de Incidente em Antares. Um extracto de Ana Terra:
«Ana Terra descia a coxilha no alto da qual ficava o rancho da estância, e dirigia-se para a sanga, equilibrando sobre a cabeça uma cesta cheia de roupa suja, e pensando no que a mãe sempre lhe dizia: "Quem carrega peso na cabeça fica papudo". Ela não queria ficar papuda. Tinha vinte e cinco anos e ainda esperava casar. Não que sentisse muita falta de homem, mas acontecia que casando poderia ao menos ter alguma esperança de sair daquele cafundó, ir morar no Rio Pardo, em Viamão ou até mesmo voltar para a Capitania de São Paulo, onde nascera. Ali na estância a vida era triste e dura. Moravam num rancho de paredes de taquaruçu e barro, coberto de palha e com chão de terra batida. Em certas noites Ana ficava acordada debaixo das cobertas, escutando o vento, eterno viajante que passava pela estância gemendo ou assobiando, mas nunca apeava do seu cavalo; o mais que podia fazer era gritar um "Ó de casa!" e continuar seu caminho campo em fora. Passavam-se meses sem que nenhum cristão cruzasse aquelas paragens. Às vezes era até bom mesmo que eles vivessem isolados, porque quando aparecia alguém era para trazer incômodo ou perigo. Nunca se sabia. Uma vez tinham dado pouso a um desconhecido: vieram a saber depois que se tratava dum desertor do Presídio do Rio Grande, perseguido pela Coroa como autor de sete mortes. O pai de Ana costumava dizer que, quando via um leão baio ou uma jaguatirica, não se impressionava: pegava o mosquete, calmo, e ia enfrentar o animal; mas, quando via aparecer homem, estremecia. É que ali na estância eles estavam ressabiados.»

Janeiro 31, 2005

A viagem de Iaqub, 1

Para quem nunca esteve na Amazônia, é difícil imaginar como se chega quase à nascente do Juruá-Mirim, tanto mais que o rio nunca foi muito navegável. Não era rio de pesca, não era rio de gente, sobretudo na época das chuvas, de Outubro a Maio, e alguém só podia chegar a ele saltando de rio em rio, de igarapé em igarapé, de colina em colina, sobrevivendo aos ataques dos índios, às alucinações, aos animais desconhecidos e às febres.

Nem sempre é fácil, nem sempre é fácil

Nem sempre. Às vezes os livros escapam-se por onde não deviam. Pousam onde não deviam. O Gávea recupera lentamente de tempestades, caminha devagar. É a vida. Mas isso passa.

Dezembro 19, 2004

E ainda mais links

Mais links portugueses: sites institucionais e blogs de autores portugueses. Há também um agrupamento revistas & sites de literatura em França, Inglaterra e EUA.

Mais links, muitos links

Acabam de ser acrescentados cerca de 100 novos links no Gávea: escritores portugueses, editores portugueses e livrarias portuguesas online. Sirvam-se. Seguem actualizações. Ou atualizações.

Dezembro 18, 2004

Rio Atlântico

O António Viriato, do Alma Lusíada, deixou este texto na caixa de comentários do Gávea. Acho que pode ser um ponto de partida para uma discussão, como a que ocorreu aqui acerca do Acordo Ortográfico:
«A iniciativa do blogue Gávea, votado a promover o conhecimento recíproco da comunidade luso-brasileira, é, em si mesma, muito louvável, no deserto actual dominante na matéria.Mas, para lograr verdadeiro êxito, deve deixar-se de cedências ao politicamente correcto e não ter medo de tocar em certos temas-tabu, como a pouca simpatia e a diminuta curiosidade dos brasileiros, em geral, pela realidade portuguesa, seja ela de que tipo for: económica, política, histórica, artística ou literária, apesar dos esforços meritórios e persistentes de uns poucos, de ambas as margens do Atlântico. Não basta falar a mesma língua, para que nos entendamos ; é preciso alguma predisposição mental para compreender o nosso interlocutor e aqui parece-me que há um longo caminho a percorrer, sobretudo da parte dos nossos irmãos brasileiros. [...]»

Samba em São Paulo

Lembro-me de um dia, na apresentação de Ruy Castro no Porto (fim de tarde, bar do Teatro Tivoli, gin crepuscular, gente que entra e sai), por causa da sua biografia de Garrincha. Falei dos livros do Ruy. Ele brincou: «Você não mencionou meu livro sobre a bossa-nova porque você só gosta de samba.» Ah, claro que não era verdade; piada mesmo. Mas este fim-de-semana, com Paulinho da Viola e Zeca Pagodinho juntos em São Paulo, a cantar Lupicínio Rodrigues, por exemplo, eu não resisto a não gostar senão de samba durante duas horas, pelo menos.

Posta Restante

Escreve o Luís R. Gomes por e-mail: «Porque raio fica tão fascinado com a literatura brasileira? E com os blogs brasileiros? Sigo o Aviz e vejo que cada vez há mais links de blogs do Brasil.» Resposta: não está à vista?

Dezembro 16, 2004

Adriana Lisboa



Adriana Lisboa é um dos nomes a reter da nova literatura brasileira. A Rocco acaba de lançar Caligrafias.
"Minha vida é o milagre banal da eternidade feita de presente, passado e futuro simultâneos – substâncias do mesmo sonho. Meus dias são todos de uma vez só. E eu me respondo com interrogações. Existo, até que deixe de existir. A maior transcendência é ter uma pele permeável e ser o que está do lado de dentro e ser o que está do lado de fora também."
Adriana Lisboa nasceu em 1970, no Rio de Janeiro, e cresceu entre a cidade e a fazenda de sua família no interior do estado. Viveu em França, estudou música e trabalhou como cantora, flautista e professora. Publicou os romances Sinfonia em Branco e Os Fios da Memória, ambos na Rocco.

João Antônio!


Para quem não conhece Malagueta, Perus e Bacanaço: estão aí os contos urbanos, paulistas, paulistanos e publicados por João Antônio. É um elogio da malandragem. Os originais de Malagueta, Perus e Bacanaço foram destruídos no incêndio da sua casa, em 1960. O livro só seria publicado depois, em 1963, totalmente reescrito. Agora sai em edição Cosac Naify, bonita como sempre são as desta casa, com um extratexto com fotos e uma biografia deste livro.

Outras obras de João Antônio: Calvário e Porres do Pingente Afonso Henriques de lima Barreto, Lambões de Caçarola, Ô, Copacabana, Abraçado ao meu Rancor. João Antônio Ferreira Filho (1937-1996), nasceu de uma família de imigrantes portugueses de poucos recursos, em São Paulo. Foi jornalista. Escritor de coisas da rua. Amante das cidades.

Rubem


Correr para as livrarias: está aí o voluminho (600 páginas) dos Contos de Rubem Fonseca -- são 64 deles, escolhidos pelo próprio Rubem, o melhor contista da língua portuguesa. Edição Companhia das Letras. Para os leitores portugueses, de Portugal, o melhor processo é uma ida ao Centro do Livro Brasileiro, ao Calhariz (Lisboa), ou um pedido aos distribuidores mais rápidos da net brasileira (fala a experiência), a Saraiva ou o Submarino.


Aí está A Tapas e Pontapés, de Diogo Mainardi -- o melhor das crónicas da Veja. E aqui está o link para uma das entrevistas de Mainardi no tour de lançamento do livro. A edição é da Record.

Pornografia histórica


E, para começar, nada melhor do que chamar a atenção para uma das novidades natalícias (quase tremo) da Companhia das Letras: Páginas de Sensação. Literatura popular e pornográfica no Rio de Janeiro (1870-1924). Aqui vai, também, um extracto da introdução, de Alessandra El Far:
Nas últimas duas décadas do século XIX, inúmeros livros foram publicados com a finalidade de atingir uma parcela ainda pouco explorada pelo mercado editorial: "o povo". Com o tempo, as belas encadernações vindas da Europa e os textos assinados por intelectuais de rara erudição, tão apreciados pelas elites ilustradas brasileiras, foram cedendo espaço, nas prateleiras das livrarias, às brochuras baratas, que carregavam consigo tramas mirabolantes, narrativas audaciosas, de tirar o fôlego. "Nós, editores", dizia o literato Adolfo Caminha, reproduzindo a frase que todo escritor de talento escutava ao tentar publicar sua obra, "preferimos ao estilo, à arte um bom enredo, uma história de sangue cheia de mistérios, comovente, arrebatadora! É disso que o povo gosta, e nós, a respeito de gosto literário, só conhecemos o povo."


Cá vamos

Ah, mil perdões. O Gávea voltou depois de quase um mês de absentismo, degradação moral e más leituras. Sobretudo portuguesas, vale a pena dizer. Cá vamos.

Dezembro 06, 2004

INTERRUPÇÃO

Por motivos absolutamente marginais, o Gávea interrompeu as suas actividades durante algumas semanas. Retomará a maratona habitual na próxima quarta-feira. Sem falta.

Para os amigos e leitores que têm visitado o blog em vão, agradecimentos sinceros.

Novembro 19, 2004

Sérgio Sant'anna voa na Antena Um

Para os leitores portugueses, em Portugal: o programa Escrita em Dia, da Antena Um, encerra neste domingo a série de 10 emissões dedicadas a entrevistas com escritores brasileiros; o derradeiro convidado é Sérgio Sant'Anna, o autor de O Voo da Madrugada (edição brasileira na Companhia das Letras, edição portuguesa na Cotovia).
A emissão começa à meia-noite de domingo para segunda-feira, na Antena Um, sendo depois repetida na RDP-África (às 23:59 de segunda-feira) e na RDP-Internacional (21:05 de quarta-feira) -- são horas de Lisboa.

Novembro 17, 2004

Cinema puro


A Companhia das Letras lança uma recolha das melhores críticas ou crónicas de cinema de Moniz Vianna, geralmente publicadas no Correio da Manhã. A organização é de Ruy Castro.

Contos de Rubem Fonseca

Está praticamente nas livrarias brasileiras uma antologia de contos de Rubem Fonseca: cerca de 800 páginas seleccionadas pelo próprio escritor de entre os seus contos. São 64 no total.

Encontros de Interrogação

De São Paulo, o bom Ilídio Soares chama a atenção para a realização dos «Encontros de Interrogação», o nome do «evento literário» que será realizado no Itaú Cultural, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de novembro. Cerca de cem poetas, prosadores, críticos e jornalistas estarão presentes, participando dos debates em mesas temáticas. Escreve o Ilídio: «Sabe quem virá para esse encontro? Veja só: Claudia Roquette-Pinto,Wilson Bueno, Horácio Costa, Carlos Ávila, Ignácio de Loyola Brandão, Ricardo Aleixo, Sebastião Nunes, Glauco Mattoso, Rodrigo Garcia Lopes, Ademir Assunção... para citar poucos nomes... enfim, só a fina fauna e flora da nossa literatura atual ... o Itaú Cultural distribuirá uma revista dedicada especialmente ao encontro, e produzirá um livro e um DVD com depoimentos de todos os autores participantes.»

Novembro 11, 2004

Poesia de Ana Miranda

O novo livro de Ana Miranda (a autora de Boca do Inferno, Companhia das Letras; edição portuguesa na Dom Quixote), que não publicava poesia há 21 anos, é Prece a uma Aldeia Perdida e sai por estes dias.

Adenda: Já está publicado, edição da Record.

Karim Blair, aliás.

«Uma guitarra, uma flor ao soldado desconhecido de My Lai, as escuras e irreversíveis saudades, um garoto que, como eu, amava Emerson, Lake & Palmer. Os rasantes dos helicópteros surgindo detrás das montanhas, as taturanas, as tatuagens, os canhoneiros, o tênis saltando poças de água e desdém, a linha fina da chuva morna e pegajosa, cigarrilhas adocicadas, lojas de ervas, um disco italiano de 78 rpm: Catari. As gardênias, os vidros, os vidrilhos, a lentidão das trilhas, os nossos almoços, as nossas bússolas, um saquinho de madrepérolas, outro de fotos de Xangai & adjacências, as convalescenças, os cortes das pernas que iam se fechando aos poucos, as pomadas, os ungüentos, as cartas indecifráveis, as moscas estagnadas, as legendas, as semelhanças, os rumos, a hidrografia nostálgica de uma tarde avermelhada.»
Karim Blair
(aliás, Mécia), O Caderno Lilás .

Será bom, haver discriminação positiva?

Livros devem ficar mais baratos com isenção fiscal. «Os livros brasileiros entraram na lista dos produtos que vão ficar livres de impostos e contribuições. O governo federal e o Congresso Nacional estão preparando uma série de medidas com o objetivo de reduzir preços e aumentar as vendas de livros no país.» [Via Folha de São Paulo]

Novembro 10, 2004

Prémio Portugal Telecom/Brasil


São 100 mil reais (cerca de 35 mil euros) que vão parar às mãos de Paulo Henriques de Britto, o autor de Macau, um livro de poemas, que recebeu o prémio Portugal Telecom Brasil.
Paulo Henriques Britto nasceu no Rio de Janeiro, em 1951. Professor universitário e tradutor, é autor de Liturgia da Matéria, Mínima Lírica e Trovar Claro. O livro Macau é publicado pela Companhia das Letras. Entre as suas traduções estão livros de Don Delillo, Salman Rushdie, Philip Roth ou Paul Auster e Elisabeth Bishop.
Na lista de candidatos ficaram, em segundo, O Vôo da Madrugada, de Sérgio Sant´Anna (Companhia das Letras; publicado em Portugal pela Cotovia). Na terceira posição, ficou A Margem Imóvel do Rio, de Luiz Antonio de Assis Brasil (edição LP&M Editores). Ver notícia aqui.

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BIODIVERSIDADE

Há maneiras mais fáceis de se expor ao ridículo,
que não requerem prática, oficina, suor.
Maneiras mais simpáticas de pagar mico
e dizer olha eu aqui, sou único, me amem por favor.

Porém há quem se preste a esse papel esdrúxulo,
como há quem não se vexe de ler e decifrar
essas palavras bestas estrebuchando inúteis,
cágados com as quatro patas viradas pro ar.

Então essa fala esquisita, aparentemente anárquica,
de repente é mais que isso, é uma voz, talvez,
do outro lado da linha formigando de estática,
dizendo algo mais que testando, testando, um dois três,

câmbio? Quem sabe esses cascos invertidos,
incapazes de reassumir a posição natural,
não são na verdade uma outra forma de vida,
tipo um ramo alternativo do reino animal?
Paulo Henriques de Britto, Macau. Companhia das Letras.

Novembro 09, 2004

Garcia-Roza na LER

Entrevista de A.L. Garcia-Roza, por Francisco José Viegas; texto integral. (Publicada originalmente na revista Ler, de Portugal -- agradecimentos à sua directora, Mafalda Lopes da Costa.) Há também uma espécie de dicionário dos livros de Garcia-Roza, ou seja, do delegado Espinosa.

Ruy Duarte de Carvalho no Rio

Para os amigos brasileiros do Gávea -- especialmente do Rio: está aí o espectáculo de teatro do actor e encenador português Manuel Wiborg, Vou Lá Visitar Pastores, baseado na obra homónima de Ruy Duarte de Carvalho - Vou lá visitar pastores. Exploração Epistolar de um
Percurso Angolano em Território Kuvale
. Hoje, 9 de Novembro, no Rio de Janeiro, no Teatro do Planetário. Depois em São Paulo em data e local a confirmar.

Existe uma edição brasileira de
Vou Lá Visitar Pastores, na Gryphus.
Ruy Duarte de Carvalho é cidadão angolano. Poeta, ensaísta, ficcionista, é autor de vasta obra literária. Antropólogo doutorado pela Sorbonne/Paris e professor de Antropologia (Universidades de Luanda e Coimbra) é também cineasta com inúmeras horas de cinema etnográfico. Edita em Portugal na Cotovia.


Novembro 04, 2004

Escrita em Dia

Para os leitores portugueses, em Portugal: o autor entrevistado este domingo passado no programa Escrita em Dia, da Antena Um, foi Alfredo Luiz Garcia Roza, o autor de Uma Janela em Copacabana, O Silêncio da Chuva, Achados e Perdidos ou O Perseguido.
No próximo domingo será Heloísa Seixas. Recordo que a emissão vai para o ar à meia-noite de domingo para segunda-feira, na Antena Um, sendo depois repetida na RDP-África (às 23:59 de segunda-feira) e na RDP-Internacional (21:05 de quarta-feira) -- são horas de Lisboa.

Heloísa Seixas, carioca, foi jornalista e funcionária da ONU. Actualmente é escritora, publicou sete livros desde a revelação extraordinária de
O Pente de Vénus, Histórias do Amor Assombrado”, publicado em 1995. Semanalmente, assina a secção «Contos Mínimos», na revista de domingo do Jornal do Brasil. O seu mais recente romance é Pérolas Absolutas (Record), que também esteve na lista dos candidatos ao Jabuti.

Links, mais sebos

O Cisco recomenda o Traça e o Beco dos Livros, dois sebos de Porto Alegre. Em breve terão uma visita.
Na lista de blogs, ao fundo e à direita, acrescentámos mais uns links enviados pelos leitores do Gávea.

Outubro 29, 2004

E, por isso mesmo...

E, mesmo em Fernando de Noronha, dá para assinalar que o Gávea se antecipou largamente aos «segundos cadernos» da Folha, do Globo e do Estadão do fim-de-semana passado, que chamavam a atenção para a publicação dos dois volumes de O Continente, de Erico Verissimo, que era o grande destaque das suas primeiras páginas. O Gávea já tinha assinalado o acontecimento há uns dias...

Apesar disso...

Mas, apesar de Fernando de Noronha ficar um bocadinho distante de quase tudo, gostaria de chamar a atenção para os comentários ao post «Acordo Ortográfico»; vê-se que a polémica promete continuar ou pelo menos agudizar-se. Contra ou a favor de um acordo ortográfico da língua portuguesa?

Já de regresso



O Gávea está aqui em peregrinação mas volta já ao quartel-general, carregado de literatura e de novidades. Morram de inveja, canibais!

Outubro 23, 2004

Links, blogs, autores, sebos

A partir de hoje, o Gávea conta com uma lista de blogs do Brasil. Está aí, na coluna da direita, ao fundo. Agradecemos sugestões e envio de links; como habitualmente, um selecção de links estará sempre em movimento.

De igual modo, foram acrescentados alguns links de escritores e outros sites, e também uma secção de sebos (alfarrabistas, para leitores portugueses). Evidentemente que encontrar sebos online é quase contraditório. Para uma lista pormenorizada de sebos brasileiros, veja-se esta lista, que é de grande ajuda para várias cidades do Brasil.

Fabio Danesi Rossi



O livro é Todas as Festas Felizes Demais (edição Barracuda), de Fabio Danesi Rossi: 34 contos curtos e extra-curtos, para ler rápido. Vorazes, as histórias devoram-nos. Quod erat demonstrandum. Etc., etc.

Fabio Danesi Rossi nasceu em São Paulo em 1974. Estudou Marketing e colaborou na Folha de S. Paulo. Mantém um blog, o FDR.

Licencioso

«Não existe bom escritor brasileiro; se existisse, escreveria diretamente em inglês (literatura é um costume anglo-saxão imitado por outros povos com variados graus de incompetência) para vender seus livros num mercado digno do nome e ser lido por gente com cérebro homeotérmico. Não sei de nenhum, no Brasil, capaz de fazê-lo - mesmo entre os melhores, que sabem das coisas. O português brasileiro é um idioma insalubre: o lugar onde melhor é falado é o Maranhão, e o pior, São Paulo. Usá-lo corretamente pode causar desnutrição, barriga-d'água e cisticercose.» Contos Licenciosos.

Oswald de Andrade

Oswald de Andrade morreu a 22 de Outubro de 1954. São Paulo assinala. O Gávea tratou há tempos o Manifesto Antropófago e o próprio Oswald.

Acordo Ortográfico, 2. Uma precisão.

Carlos Alberto Xavier, o assessor especial do ministro da Educação, referiu-se, nas suas declarações sobre o Acordo Ortográfico, a casos específicos do português de Portugal e do Brasil. Entre outros exemplos, este:
«Para facilitar a cooperação na África e no Timor, por exemplo, é fundamental essa ‘universalização’. Não dá para uma professora dizer ‘dictado’, seguindo um livro de Portugal e ‘ditado’ quando utilizar um livro do Brasil.»
Não é verdade. No português de Portugal escreve-se «ditado» e não «dictado».

Acordo Ortográfico

Brasil espera que Portugal e Cabo Verde ratifiquem acordo ortográfico da língua portuguesa.
«São 21 as bases de mudanças na ortografia da língua portuguesa. Com a reforma, o trema deixará de existir, a não ser em nomes próprios e seus derivados. O alfabeto passará a ter 26 letras, pois incluirá k, y e w. O h inicial e final das palavras também sofrerá alteração e permanecerão com ele apenas as palavras indicadas pela etimologia, por exemplo: homem, que vem do latim, homini.
Segundo nota divulgada pelo Itamaraty, "estima-se que a entrada em vigor do Acordo Ortográfico poderá evitar o grande custo de produção de diferentes versões de dicionários e livros em geral. Será também mais fácil estabelecer critérios unificados para todos os países de língua portuguesa, com relação a exames e certificações comuns de proficiência de português para estrangeiros".»

Outubro 19, 2004

O Brasil por Joel Silveira


«É noite e São Paulo rico está resumido ali na pista do Jequiti-Bar. Durante o dia, as mulheres fizeram coisas inúteis: acordaram tarde, almoçaram em bloco, jogaram pife-pafe, compraram a revista Sombra, tomaram chá na Livraria Jaraguá, jantaram na Papote e falaram das amigas.
Os homens ganharam dinheiro. Alguns não fizeram muito esforço para isso: apenas assinaram alguns papéis. Outros estiveram nas fábricas, conversaram com o gerente, telefonaram para o Rio. À tarde foram ao Automóvel Club, um lugar triste como um cemitério. Perderam algum dinheiro em jogos inocentes; mas o que perderam nem chega a representar uma humilde fração dos lucros que conquistaram durante o dia.»

Este é um trecho de A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, de Joel Silveira (nasceu em 1918), «o jornalista que cobriu fatos que marcaram a vida política do país e, no Rio de Janeiro, conviveu com artistas e intelectuais como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos e Rubem Braga». Em A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista, o tema é São Paulo -- mas vai ser lançado na próxima semana A Feijoada que Derrubou o Governo, mais textos dispersos de Joel Silveira sobre o Brasil (edição da Companhia das Letras).

Blog da Júlia, Nove de Copas

Vale a pena visitar o blog Nove de Copas ; Júlia escreve com uma lentidão melancólica, cheia de poeira:
«me deu tanta vontade de te responder. eu me lembro dessa conversa sobre a calça de lycra como num sonho. talvez tenha sido de noite. eu e o ... nos encontrávamos muito à noite. era sempre assim, de noite era mais leve, era cheio de festa. não era boemia, era vida noturna mesmo.
fico pensando no que eu era antes. coisas que estão gravadas aqui. coisas que você escreve no blog e que eu queria ter tido para uma amiga que agora lê petrarca. tudo se encaixa. tenho um conto que ainda não existe e vivo sempre como um eco. os anos passados, as alegrias seguintes.
e nossos encontros. fora da página também é bonito.»

Letícia


Em Portugal teve algum sucesso A Casa das Sete Mulheres (edição brasileira na Record, edição portuguesa na Ambar -- além da série televisiva da Globo, que passou na Sic em Portugal). Para os interessados no género, aqui fica a capa de Um Farol no Pampa, de Letícia Wierzchowski, ainda sem edição portuguesa (publicado pela Record)

Alberto Mussa



Foi destaque na edição de sábado de O Globo (segundo caderno, link não disponível): é o novo livro de Alberto Mussa, O Enigma de Qal (edição Record), que encena «a busca fictícia da solução de um famoso enigma da cultura árabe», e roda em torno do poeta al-Gatash:
«Era o estímulo para uma exegese alegórica. Spíridon analisou a cena: três pessoas em três cruzes, cada cruz com quatro extremos -- 3, 3 e 4: portanto, um triângulo iósceles de perímetro 10 e de altura menor que a bae -- signo da natureza humana. Altura menor que a base indica maior propensão à terra que ao céu. O valor do perímetro, 10, é o dobro de 5 -- que são os extremos do corpo físico. A qualidade de isósceles, ou seja, a de possuir dois lados iguais, representa o equilíbrio do Bem e do Mal.»
Alberto Mussa nasceu no Rio de Janeiro em 1961. Estudou Letras na Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi professor. Livros anteriores: Elegbara (Revan, 1997), O Trono da Rainha Jinga (Nova Fronteira, 1999, que foi prémio da Biblioteca Nacional)

Mais, muito mais Millôr


O Tiago Luís dá uma dica aos fanáticos de Millôr Fernandes:
«Há uma página que tem vários textos do nosso velhote. Para consultar a maior parte tem que ser assinante, excepto o Daily Millôr (na coluna do lado esquerdo) onde se podem ler quase duzentos textos.»
Obrigado, Tiago; continuamos à espera de mais sugestões.

Outubro 16, 2004

Na Academia, corando

Terminou em beleza o «passatempo Luana Piovani» aberto pelo Gávea. Ao vigésimo segundo email (e mais uma dezena de comentários), uma leitora acertou no nome da escritora portuguesa. Infelizmente, a resposta chegou uns minutos depois de encerrarmos o passatempo. Nada de prémios e a Academia continua em Copacabana.

Meg

A excelente Meg Guimarães, do Sub Rosa corrige-nos, e ainda bem. Foi uma distracção, digamos, fatal: o título da biografia de Nelson Rodrigues, por Ruy Castro, leva o título de O Anjo Pornográfico e não Flor de Obsessão, naturalmente. Flor de Obsessão é o título do livro que reúne extractos da obra de Nelson. Ambos os livros foram publicados pela Companhia das Letras. O post em que tínhamos errado está lá em baixo, muito em baixo -- é o segundo da vida do Gávea. Desculpa o atraso, Meg.

Cosac Naify

A sempre atenta Cristina Fernandes, do blog português Janela Indiscreta recomenda mais um link para a coluna das editoras, ali em baixo, à direita: o da Cosac Naify. A ter em atenção a qualidade gráfica dos seus livros.

O Gávea em italiano

Rosella Pristerà mantém um blog, em Itália, onde traduziu a nossa referência ao manifesto antropofágico de Oswald de Andrade. O blog de Rosella chama-se Diario di Bottega.

História


Com Paulo Mendes Campos, Hélio Pellegrino e Otto Lara Resende. Os quatro mineiros que viraram mito.

Entretanto, fica aqui o site exclusivamente dedicado à vida & obra de Sabino.

«No fim tudo dá certo. Se não deu, é porque ainda não chegou ao fim.»

Leituras


Ler as crónicas de Paulo Roberto Pires, «O Encontro Adiado», e de Sérgio Rodrigues, «Um Mestre sem Imaginação».

Fernando Sabino por Zuenir, hoje


Zuenir Ventura, mineiro, escreve hoje em O Globo, sobre Fernando Sabino, mineiro.
«Nunca acompanhei um enterro como o de Fernando Sabino. Acho que foi como ele queria. Os amigos conversavam, riam, contavam histórias e não iam embora, apesar do forte mormaço. Foi o mais demorado que se tem memória. “Se colocarem um copo de cerveja em cima do túmulo, ninguém mais sai daqui”, comentou o deputado Miro Teixeira, marido de Leonora, filha de Fernando. O ponto alto (já ia escrever “da festa”) foi a Ramblers Traditional Jazz Band tocando músicas como nos funerais negros de Nova Orleans. O cronista deve ter gostado. Claro que teria preferido participar da apresentação tocando bateria, como fizera um ano antes quando reuniu alguns amigos para comemorar o seu 80.º aniversário.
[…] Vi muita gente rir chorando. Verónica entre lágrimas se lembrava rindo da última vez que estivemos com seu pai no bar da Livraria da Travessa, não faz muito tempo. Com uma boa platéia na mesa, Fernando estava especialmente engraçado. Como no enterro, não queria deixar ninguém ir embora. Quando alguém ameaçava se levantar, ele perguntava: “Vai fazer um discurso?” E não parava de contar histórias: “Espera aí, ouve só a última do mineiro.” Eram as minhas preferidas, porque ele conhecia a alma de seu povo como a dele próprio.
Dizia que mineiro é tão cauteloso e desconfiado que não gosta de revelar nem a identidade.
– Qual é o seu nome todos? – pergunta o carioca.
– Diz a parte que você sabe – desconversa o mineiro.
Nessa outra, o escritor conta o diálogo com um motorista mineiro em Nova York:
– Ah, você também é de Minas?
– Sou, sim sinhô.
– De onde?
– De Minas mesmo.
Se consegue esconder de onde é, imagina quando lhe pedem uma opinião política.
– Que tal é o prefeito daqui?
– O prefeito? É tal qual eles falam dele.
– E o que é que eles falam dele?
– Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo o que é prefeito.
Minas vai peder muito de sua graça sem as última do Fernando Sabino.»

Outubro 15, 2004

Sabino, Adeus


Quem nunca riu de verdade com os textos de Deixa o Alfredo Falar! não sabe o que perde. Fernando Sabino, um grande amigo de Portugal, morreu no passado dia 10. A sua biografia está neste link.

«Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam: o que você quer ser quando crescer? Hoje não perguntam mais. Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.»


Livros principais e a ler:
O Homem Nu, A Mulher do Vizinho, Deixa o Alfredo Falar!, O Encontro das Águas, O Grande Mentecapto, Cartas Perto do Coração (Correspondência com Clarice Lispector), A Volta por cima.

Era um magnífico cronista.

Milton Hatoum na Antena Um (rima e tudo...)



Informação para os leitores portugueses do Gávea: este fim de semana, à meia-noite de domingo (de domingo para segunda, portanto), Milton Hatoum é entrevistado no programa «Escrita em Dia», da Antena Um. Milton é o autor de Relatos de um Certo Oriente e de Dois Irmãos (Companhia das Letras, no Brasil; Cotovia, em Portugal). O próximo livro de Milton Hatoum sairá em 2005 e o cenário é, mais uma vez, a Amazónia e o mundo dos libaneses de Manaus.

A entrevista é repetida às 23:59 de segunda-feira na RDP África, e às 21:05 de quarta-feira na RDP Internacional (horas de Lisboa).

Cafajeste

Atenção ao blog português O Cafajeste, onde há muitos textos de autores brasileiros (e comentários sobre futebol brasileiro também) -- ele é fanático de Luis Fernando Verissimo. E é para ele que anunciamos a entrada do link sobre Millôr Fernandes na coluna da direita.

Zuenir

Está quase terminado o volume das memórias de Zuenir Ventura (ver link na coluna aí abaixo), nomeadamente sobre os seus 50 anos de jornalismo. Zuenir, mais um carioca nascido em Minas, pode ser lido semanalmente no O Globo -- e o livro será publicado em Fevereiro de 2005.

Memórias carioquinhas/2

Uma das canções do disco é o «Samba da Mala»: «Olha essa mulher que no samba entrou, é louca/ Samba mal e quer cantar, mas a voz é pouca…»

Memórias carioquinhas

E pessoais. Acaba de sair um CD com a «trilha sonora» do bar Bip Bip, um barzinho estacionado no centro de Copacabana, na Rua Almirante Gonçalves – tudo cheio de sambas e violões (vilões também…). O Bip Bip completa 35 anos «a serviço do porre e da amizade», coisas boas, e no CD há músicas com Renato Partideiro, Marcos China, Nize Carvalho (olha que boa voz…), Wilson Moreira, Aldir Blanc, Cristina Buarque, Nelson Sargento, Paulo César Pinheiro – e o cavaquinho impressionante de Wanderson Martins. Tudo isto, depois do livro sobre o bar, Bip Bip, um Bar a Serviço da Alegria (escrito e organizado por Marceu Vieira, Luiz Pimentel e Francisco Genu).

Verissimo, pai


Também na Companhia das Letras: continua a reeditar-se a obra completa de Erico Verissimo. Pessoalmente, Verissimo foi uma boa companhia da minha adolescência, sobretudo com Olhai os Lírios do Campo e as páginas de O Tempo e o Vento. Agora, estão aqui os dois volumes de O Continente, a história da formação do Rio Grande do Sul moderno (e federalista) diante de um Brasil distante.

Olha os gregos!


Eu acho bom esse modo de tratar os clássicos. Ruth Rocha já tinha abordado a Odisseia e lança-se agora na Ilíada, com Eduardo Rocha. Além da versão do original, há ainda ilustrações, mapas e notas explicativas. A edição é da Companhia das Letras.

Outubro 12, 2004

Dalton Trevisan, o vampiro de Curitiba

Aproveitando o feriadão brasileiro, recomendamos Dalton Trevisan. Em breve, mais textos deste autor. Por agora fica este, para abrir o apetite.
«– Depois te beijava da ponta do cabelo até a unha encarnada do pé. Cada pedacinho escondido de teu corpo. Afastava essa coxa branquinha de arroz lavado em sete águas. E me perdia no teu abismo de grandes lábios rosa.
Agora a mãozinha quente e molhada.
– Sou homem de certa idade. Com a minha vivência faria você sentir prazer até no terceiro dedinho do pé esquerdo. De tanto gozo sairia flutuando pela janela sobre os telhados da Praça Tiradentes. […] Quer experimentar hoje?
– Próxima vez eu resolvo.
– Por que não agora? Já está aqui. Tão fácil. Até chovendo. Mais aconchegante.
– Hoje não.
– Você é que sabe. Só não creio na tua frieza. Tudo me diz que é moça fogosa. Essa boca vermelha e carnuda. É de quem gosta. Mais uma coisa, anjo, enquanto eu falava, o teu narizinho abria e fechava…»
Dalton Trevisan, Continhos Galantes
[edição L&PM]

Outubro 09, 2004

Bernardo Carvalho na Antena Um

Para os nossos leitores portugueses: este fim de semana, à meia-noite de domingo (de domingo para segunda, portanto), Bernardo Carvalho é entrevistado no programa «Escrita em Dia», da Antena Um.

A entrevista é repetida às 23:59 de segunda-feira na RDP África, e às 21:05 de quarta-feira na RDP Internacional (horas de Lisboa).

Mais links

Marcelo Firpo sugere alguns links para o Gávea. Durante a semana iremos tratar deles; fica, para já, o da Livros do Mal, uma editora independente gaúcha, Rio Grande do Sul. Obrigado, Marcelo.

Outubro 07, 2004

Mais autores no Gávea

Foram adicionados mais links na secção «Escritores» (coluna à direita, em baixo): desta vez, Ronald de Carvalho, José Lins do Rêgo, Alcântara Machado, Cruz e Sousa, Graciliano Ramos, Gonçalves Dias, Manuel Antônio de Almeida e Lima Barreto. Foi também aumentada a lista de sites com livros on line, de onde se podem fazer downloads de clássicos portugueses a brasileiros, de Os Lusíadas às Memórias Póstumas de Brás Cubas.

Manifesto Antropófago



«A revista de antropofagia não tem orientação ou pensamento de espécie alguma:só tem estômago.»



«Não fazemos crítica literária. Intriga, sim!»


A pubicação do Manifesto Antropófago é um momento crucial da literatura e da cultura brasileiras. Foi publicado no primeiro número da Revista de Antropofagia, em Maio de 1928, e assinado, por Oswald de Andrade «em Piratininga, Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha».
A ideia base: «Alimentar-se de tudo o que o estrangeiro traz para o Brasil, sugar-lhe todas as idéias e uni-las às brasileiras, realizando assim uma produção artística e cultural rica, criativa, única e própria. Era preciso desvincular-se de laços passados, como o simbolismo, ainda fortemente presente naquela época.» O Manifesto Antropófago", de 1928, é a resposta do escritor Oswald de Andrade às questões postas pela Semana de Arte Moderna (1922). Para ele, a renovação da arte brasileira nasceria da retomada dos valores indígenas. A iniciativa não era inédita. Após a Independência, o romantismo já havia usado esse «índio mitológico» para construir uma identidade nacional, oposta à dos europeus.
Oswald retoma essa temática, mas rejeita a xenofobia de outros modernistas. A civilização europeia não deveria ser rejeitada, mas sim absorvida. A antropofagia é o símbolo dessa tese: o europeu deve ser devorado.
[Ver também Semana de Arte Moderna de 1922.]

Excerto do Manifesto:
«Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente. Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz. Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
[…]
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe: ponha isso no papel